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Poeira das estrelas.

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Quando olho para o céu, sinto como se eu tivesse vindo de lá. Tão longe, mas ao mesmo tempo sinto muito, muito perto.

“Casa”, é a palavra que me vem em mente.

Tem horas que sento ao relento, ouvindo uma música suave e antiga, que me faz recordar coisas que eu penso jamais ter vivenciado. Sinto um perfume irreconhecivelmente delicioso e relaxante, e o céu, ah o céu – um espetáculo à parte, me faz imaginar uma tela escura cheia de buraquinhos em frente a uma luminária quente.

Penso e sinto coisas estranhamente intensas, como se eu fosse apenas um grãozinho de mim, um pontinho minúsculo diante de tudo o que eu realmente poderia ser.

Talvez eu seja mesmo assim, como uma estrela, apenas um pontinho que nasceu para reluzir breve em um breu, para depois explodir raios de desejos companheiros de um luar.

Apenas um pontinho, longínquo, que escolhe palavras para descrever seus sonhos.

O vento sopra em meus ruivos cabelos, longos e ligeiramente anelados, onde meus dedos brincam de se esconder, enrolando uma mecha na lateral da nuca. Eu penso faceira, em me esconder num horizonte aqui ou acolá e pegar o futuro de surpresa, sem pressa ou pretensão, sem me deixar destinar, fazer apenas o que eu quero.

Realizar…

Nesse horizonte, a colcha escura e negra que cobre minha noite, viraria um amanhecer e as cores tomariam conta de minha história de retalhos.

Nesse horizonte, eu brincaria de encantar, faria daquela fonte cristalina meu espelho e me encontraria em casa, no meu universo paralelo, onde mãos não são impedidas de se entrelaçarem, rostos podem se roçar em carinho, e bocas então se encontram, sem mais, sem palavras nem proibições.

E lá, deito meus cabelos no gramado enquanto o amor feroz se faz, e ali a dor jaz, faz jardim fecundo primaverando meu mundo.

O sol planta pétalas em mim.

A brisa me espalha em sementes.

A terra me deita em seu leito.

A chuva me escorre em eternidades.

E tudo o que resta de meu desdesertificar, dessa essência, vira poeira das estrelas.

*

Enluarada

*

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Matemática das almas.

praia_solO vento que sopra em minha direção desfaz segredos poéticos e trava deliciosas lutas interiores, em busca de conceder tranquilidade a meu ser recôndito.
Eu não sei o que sinto, se ainda sinto desde então…ou se sempre senti, desde quando meu mundo passou a orbitar um desejo jamais permitido.
É como se duas almas estivessem em um outro plano, um plano paralelo onde a matemática é exata, as somas corretas, sem restos, nem frestas.
É como se eu amanhecesse para sempre e esse amanhecer fosse a eternidade disfarçada de alegria, onde essas almas dançassem sem querer, dando voltas no infinito do amor.
O que sinto é uma ilusão do que não está aqui, mas deve existir em outro lugar, não é possível. É muito forte, é como um norte e uma bússola de tanto que é existente e coerente.
É um universo tangente a esse, e bem perto, onde há praia e mar, uma fogueira e uma conversa amiga. Há um riso e há liberdade floreada, chamuscando com as labaredas, a felicidade borboleteando nos sorrisos que se esvaem quando os olhares se cruzam, se atraem, se puxam e se querem.
Há o beijo roubado e devolvido e há o que nem faça sentido, pois lá onde o amor verdadeiro existe e onde a matemática das almas é exata, o sentir é permitido. Não há posse. Nem minha alma é minha, nem tua alma é tua. Apenas eu cuido e você cuida, sem pressa, sem promessas. A calma preenche o coração e a paz é a mais sublime canção.
Há um lugar, um lar, muito além daqui, acredito, onde tem um leito macio com colchas de seda e almofadas fofas, e se deitar é uma viagem. Sonhar é paisagem, e sempre de passagem, meu lugar nunca é aqui ou ali.  Meu lugar é em um coração que só existiu em meus devaneios e vontades.
Meu lugar é em pensamentos e em letras, onde a satisfação da alma se encontra por acreditar que de alguma forma tudo isso existiu ou existirá. Meu lar errante, meu mundo distante e a calma da alma.

Por Simone Santos – pensamentos de Enluarada.

 

A Lua.

Surpreso fico ante a Lua…
serenata composta, que sorri.
Uivo pra ela, encantado,
vivo quando digo o que vivi.
Ela Lua que sempre iluminou,
no caminho perdeu o coração,
voltada ao Sol, brilho cego.
Amou e se fez linda com emoção.
Ah…a Lua se mostrou,
como é linda, sorridente essa magia.
Uma menina, encantada de beleza,
uma felina, vivenciada em carícias.
Sofre e beija minha Lua,
acalenta tantos anjos que a cantam,
beija a vida e inspira corações,
Volta sempre que meus versos te acalentam.

*

Por  Gente Fina –  num inspirado momento via msn…muito obrigada por tua doce colaboração!

*

Luna – de Alessandro Safina, uma música da qual me lembrei ao ler esse poema.

Por toda a minha vida.

“Eu sei que vou te amar… por toda a minha vida eu vou te amar…”

Sabe aquele amor que nasce dentro do peito da gente, avassalador, daqueles que quando narramos faz as pessoas desconfiarem se é mesmo amor? Alguns acham que é alegria demais para ser algo tão sólido. Mas o amor não é tão óbvio. Aliás, ele pega a gente tão de surpresa que muitas vezes de óbvio e previsível não tem nada. Mas dá uma felicidade danada!

É musica que te lembra, é vento que te venta em mim, são letras que te escrevem bem diante de meus olhos e quando te leio vejo que tudo já virou um borrão matado pelas lágrimas que fluíram de meu coração que insiste em te querer tanto. É a luz que me ilumina ainda que em meu caminho tenha sombras, e o perfume dos cravos que colhi dias atrás que me fizeram imaginar teu cheiro. É…

“Eu sei que vou te amar…”

Pelos versos e reversos do que eu chamo de arte, pelos cantos e encantos e por mim em toda a parte, pelos sorrisos que me traz esse sentimento insistente e forte, pelo tempo que deixa minha vida à sorte, pelo sul e pelo norte.

“Desesperadamente eu sei que vou te amar”…

Nos dias em que o desejo se torna perene e teu nome ecoa audível no meu quarto, nos momentos em que lembro da tua voz, que beijo o teu retrato. Até que meu toque em tua pele se torne possível, e que meu navegar em teu olhar faça-me desfalecer extasiada ante a ti. E há de ser, tanto amor não pode no infinito se perder.

“E cada verso meu será…”

“Pra te dizer que eu sei que vou te amar.” Porque construístes em mim poesia. Reavivaste alegria, euforia e flores, em meus quadros da vida há cores e não há o que me faça cansar de pensar em rimas com te quero, te amo, preciso-te. Até meu respirar me faz te lembrar. Intenso é, me faz feliz, deixou raiz e não tenho previsão de me esquecer. Enquanto eu amar irei viver. E enquanto viver, de um jeito ou de outro, amar- te hei…

“Por toda a minha vida”

*

Enluarada

*

“Ei, não te contaram que não há limites para o amor? Nem tempo, nem espaço, nem presença, nem constância. O amor de tão perfeito é ilógico. Porque eu amo da forma mais louca e ainda assim, nunca me senti tão sã.”

Texto mesclado com trechos da linda música de Vinícius de Moraes – “Eu sei que vou te amar”  – também postado em minha coluna “Chuva de poesia” no site www.sandracajado.com.br

Que eu seja…amar.

E é no meu silêncio que escrevo com as letras do meu barulho, porque sou pobre de orgulho.

Porque me sinto tão Lua, tão distante, errante, de longe brincando com o mar e jogando a água com força na areia.

Daqui vejo muita coisa. Fico a pensar, o que será? Que assim seja…

E se o mar é amar, que seja em mim o mais intenso, vasto, aberto e imenso – oceano dos olhos meus que um dia desaguarão nos teus.

E se o céu é amar, que seja em mim o mais infinito, estrelado, explorado e mais bonito – asas de um coração que busca a tua direção.

E se viver é amar, que seja a vida mais plena, que a dor seja feita pequena, o que se viveu seja válido, que a luta faça sentido.

E se amar é luz, quero ser a mais forte, brilhar de sul a norte, quero te clarear, com meu calor te abraçar, teu desejo despertar.

E se amar é voar, que eu seja alada em liberdade – nessa força que me invade, que me faz flutuar – seja em pensamento, seja em poesia.

E se amar é escrever, teu corpo: meu papiro, minhas mãos: tinta e pena, minha alma rimando serena na vastidão do meu querer.

E se amar é tudo, que eu seja ainda mais, o universo, o mundo, o transcender, o além de mim, meu eu em você – o começo e o fim.

E se amar é AMAR, que eu seja Lua permanente, chorando o mar no céu espelho, no viver, no sonhar, na tua luz em vôo livre, no teu encanto, porque nunca, simplesmente – NUNCA – amei tanto.

*

Enluarada

*


Encontrei a música perfeita…

“I love you just the way you are,

So come with me and share the view,

I’ll help you see forever too

Hold me now,

touch me now,

I don’t want to live without you…”

(George Benson –  Nothing’s Gonna Change My Love For You)

Tatiana Monteiro em poucas palavras…

Porque nunca haverá palavras suficientes para descrever pessoas maravilhosas…

Assistindo um filme segunda-feira, a seguinte frase me chamou a atenção:  “Nossas digitais não se apagam das vidas em que tocamos”

Lembrei-me dessa frase ao receber a triste notícia da perda de nossa querida amiga Tatiana Monteiro. Lembrei-me, porque embora eu a tivesse conhecido pouco, foi o suficiente para que ela marcasse em minha vida. O pouco que eu convivi com ela virtualmente, me fez admirá-la muito. Eu acredito que amizades virtuais são tão reais quanto as que temos pessoalmente, ou muitas vezes acabam se tornando laços tão fortes que transcendem ao que se classifica como virtual ou real. Claro, eu gostaria muito de poder ter tido mais tempo para desfrutar desse contato gostoso e edificante que era a amizade com a Tati, uma menina agradável, prestativa, humilde, inteligente, sensível, alegre e solidária. O que mais me chamou a atenção nela é que ela dividia o pão com todos. Não guardava nem retinha o que era bom só para ela. E dividia seus nobres sentimentos também. Me identifiquei muito com o jeito dinâmico e direto dela. Seu sorriso nas fotos iluminava, e seu coração tinha um infinito amor. Com tudo isso ela tinha o dom de tocar a vida das pessoas que cruzavam seu caminho, mesmo que num breve momento. E com certeza ela ainda tocará a vida de muitos mais. Sim, porque Tatiana tocava nossas vidas com as palavras. E essas impressões jamais se apagam. Suas palavras permanecem aí escritas para que continuem nos tocando. São seu legado.  Seu sentimento eternizado e documentado. Suas impressões digitais, provando quão valiosa foi sua estadia entre nós.

Tatiana, nós te amamos!!!

Nesse espaço, colocarei um texto que me fascinou e comoveu, um dos mais lindos dela em minha opinião. A impressão digital dela em meu blog.

Distância

Tati, Cadê você que estando longe ao mesmo tempo está aqui tão dentro de nós?

***************

Para gostarmos de alguém

Abrimos mão de uma parte de nossa individualidade

E vice-versa…

As individualidades são imiscíveis,

Não se misturam,

Dão origem ao estranhamento dos corpos

E à ruptura dos poros.

Adentram-se no corpo um do outro

E buscam respostas para inaudíveis batidas.

Quando vem a estranheza

Levam em consideração o conceito de matéria:

Dois corpos não ocupam o mesmo lugar

E num tiro espontâneo partem para lados opostos.

Ah, distância…

Conte para ela que mesmo nós sendo imiscíveis por fora

Temos o sentimento mais indissoluvelmente indivisível por dentro: o amor…

*

Por nossa eterna Tatiana Monteiro, em um texto que nos diz muito sobre sua linda alma repleta de amor e poesia.

*

Sempre deixo uma música no fim de meus posts e nessa homenagem, não poderia ser diferente. Tenho certeza que alegre como ela era, ela iria amar ouvir novamente essa música que compartilhamos via Twitter. Deixo aqui o link do vídeo de Stereo Love. Como ela disse, essa música é poesia pura, em sua tradução.

Tati, Girassóis para você!!!

Amor céu, infinito.

Fostes meu céu,

quando eu não tinha mais chão,

e então pude voar.

Como é possível não te amar?

Amo tão intensamente que o que sinto

está a ponto de explodir em estrelas

que brilharão no infinito

quase palpável de meu coração.

Coração a céu aberto,

estrelas convertidas em palavras.

Palavras que tomam vida

e andam pelos caminhos

que eu ainda não posso trilhar.

Palavras que são mais do que verdade,

além de minha sanidade.

Descrições do que significas,

loucas alusões

ao meu amor nada figurativo.

És o certo que me conforta,

a dúvida que me enlouquece,

o meu crer, o esperar, o rir e o chorar.

És minha calma,

reconfortante ao te lembrar

e minha ira torturante

ao saber que tudo simplesmente

escorre pelos vãos de minha vida.

És meus sonhos em sono tranquilo

e também o que não me deixa dormir

quando sufocada por tua falta.

És o que escrevo, o que descrevo,

a insistência do meu coração,

minha paz, minha razão.

E agora, és nesse momento,

meu desejo de escrever poesias infinitas,

tão infinitas quanto o céu,

esse que a mim fostes,

quando me fizestes sentir

que estava pronta para voar.

*

Enluarada

*

“Encontre-me na metade do caminho,  através do céu, fora de onde o mundo pertence a somente você e eu…”  ( Kenny Loggins – Meet Me Half Way )