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A dama das paisagens.

Inconstância…

Assim que o Sol leva o calor em queda livre no infinito do horizonte, sentada estou a observar um tudo feito de nada que se mantenha inerte. Rosas brancas dançam quais bailarinas esvoaçando saias de tule e cetim, ao som do vento lírico, rodopiando enquanto a brisa canta e espalha o perfume nas camadas coloridas do crepúsculo.

Tudo muda…

O verde do tapete gramado,
vira prata acinzentado,
eis a luz do meu luar.
Os olhos de um ingênuo e indomado
coração em peito alado,
são como céu a desaguar.
As linhas do cabelo trançado,
deslizam qual mar revoltado,
nos bancos de areia do amar.

Nada permanece tão igual…

A noite é filme inacabado, e eu sou desejo infundado, sonho inventado, delírios e devaneios que me salvam nessas paisagens inconstantes.
O despertar vem me avisar que são apenas breves encontros, mas os mais reais possíveis, no plano paralelo do sonhar…porém, são apenas breves encontros. Na manhã que respira a vida, o adeus já foi dito várias vezes, o querer se tornou vício. Vou lá pra mais um pouco de viver lindo. Vou lá, pois quem me visita nas flores ao vento, nas noites e nos sonhos de luz, avista em meus olhos infinitas e mutantes paisagens.

*

Enluarada

*

“Nada dura para sempre. Nem mesmo a fria chuva de novembro…”

 

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Identidade.

Tento me focar no espelho mas há uma imagem distorcida. Tento evocar meu ego, mas me pego perdida entre o que realmente desejo e o que a vida me confere em realidade. Sinto um torpor dolorido no peito, nas pernas, nas mãos e em vão tento me reanimar.
O que eu realmente quero? Céus, só mais um pouco de alento pra esse coração perdido de Lua sem Sol…

Um brilho prateado cai de meus olhos
e há uma dor fincada em meu peito
a força do desejo está trançada em meu luar
segurando os pedaços de meu coração,
mas só ouço desculpas e letras de canção

Há um refúgio sequer?
Há um deleite aonde chovem perdas,
há um refrigério aonde acaloram-se danos?
Encontro a mim mesma, mas sem respostas.

Bate à porta minha identidade ferida,
meu ego despetalado em busca de saída.
A noite é sem sentido quando os sonhos fogem
e as estrelas são meu pranto refletido.

Já quis ser ave, astro e nuvem,
almejei o rumo do vento e a voz da brisa,
almejei a distância e amei,
amei mais do que pensei que fosse possível,
em letras, em ilusões, em versos.

Amei em gritos da alma, em pecado,
em virtudes e em inocência,
jurei aos segundos minha paciência,
perdi meu caminho no retorno…

Agora o abandono…
abandono por mim mesma de meu reflexo,
as dúvidas e um destino sem nexo,
e a incompreensão de quem não tem poesia.

Que me diz poesia?
Quem sou agora enquanto meu ser chora,
por qual vão gotejarei enquanto meu íntimo implora
por respostas no clarear de meu dia?

É como um punhal me atravessando,
uma dor que por sinal já senti outras vezes,
há não muitos meses quando me senti em desamor,
conheço bem essa dor.

Manhã tardia, vida em neblina,
e saudade e mais saudade…
…do que se foi e não tenho mais,
do que jamais tive e ainda anseio,
saudade e medo…

…como se fosse possível ainda andar de mãos dadas
com quem se confia um doce segredo.

*
Enluarada
*

As chamas de meu coração me cobram lembrar que quando mais precisei, quase ninguém estava lá…mas quem estava? Quase nunca, ninguém está.

“Agora está tão longe ver, a linha do horizonte me distrai…aonde está você agora, além de aqui dentro de mim?…Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou, vai ser difícil sem você, porque você está comigo o tempo todo e quando vejo o mar, existe algo que diz QUE A VIDA CONTINUA E SE ENTREGAR É UMA BOBAGEM, já que você não está aqui o que posso fazer é cuidadar de mim…quero ser feliz ao menos, lembrar que o plano era ficarmos bem…”

Olhos da alma.

Enxergo-te com os olhos da alma. Há muito tempo que para mim tu és muito mais do que os lábios que desejo e o corpo que anseio junto ao meu. Perfeita essência de amizade, o dom da verdade que imortaliza o amor em meu coração.

É canção da brisa suave que traz longínquos segredos que me revelam o puro querer, é meu doce carinho que aguarda poder voar e pousar no teu ninho. São estrelas que brincam de brilhar como se fossem migalhas de luz conduzindo-me no caminho ao teu encontro, é o chão de céu que me faz enluarada quando penso no teu raiar de sol.

Raiar que me clareia e incendeia meus sentimentos, lume de emoções atiçando essa ânsia quase que inconsciente, inconsequente, espontânea. Sinto-te com o sentir mais profundo, sem ter explicações nem porquês. Apenas sinto-te perto mesmo estando longe, como a senda clara da lua riscando o mar feito giz luminoso, como se fosse um beijo ardente no momento em que o horizonte toca o oceano.

Quero-te como o pulsar de minhas veias que me mantêm viva, como o ar que me rodeia e traz perfumes que me fazem te imaginar. Encontro razões lúcidas ao mesmo tempo em que mergulho em sonhos mágicos, entrelaço meus dedos nas mãos do tempo e puxo com afinco desejando ser atendida: vem! Traga-me a alegria de teu olhar e sorriso, deixe que eu me perca no teu paraíso, faça de mim teu oásis se houver deserto perto, faça-me teu leito e descanse na paz que quero te dar.

Assim como o infinito existe e não se vê, e nele cabe tanto quanto o universo puder fluir, assim é a dimensão de minha esperança baseada nessa entrega. Dela não posso fugir estando rodeada por esse espaço onde tudo me lembra você.

*

Enluarada

*

“És vertente de palavras formando um lago de emoções, tomando minha existência com tudo o que eu sempre quis sentir.”

Lembranças ao vento.

Folhas balançam ao vento e quando me dou conta você está aqui vivo em meu pensamento. Fico observando as árvores, o vento sussurrando entre as folhas que chacoalham como se estivessem rindo com cócegas, ou coisa assim.

Eu me pego perdida em pensamentos, em como tua presença radiante iluminaria minha vida, em como seria provar o gosto de teus lábios – esses que tanto desejo encostados nos meus – como seria refletir-me no espelho de teus olhos, prender-me nesse mel do teu doce e profundo olhar.

Respiraria o ar ao teu redor, sentindo teu cheiro penetrar em minha alma, provaria do néctar dos teus carinhos, me entregaria a plena calma, mesmo ofegando intensa ao desejar o teu amor. Mas estou aqui, apenas sonhando com tudo isso que se passa como um filme em minha mente, enquanto as folhas dessas árvores dançam, enquanto algumas aves nelas brincam.

O vento parou. As folhas fizeram silêncio. Parece até que resolveram prestar atenção em mim, no momento em que uma lágrima fugiu…Como se me olhassem e quisessem saber o porque.

Dessa lágrima, eu também não pude definir a razão, porque não me sinto triste. Simplesmente sinto falta das palavras de quem me faz imensamente feliz como ninguém jamais fez. Não há tristeza, porque esse amor existe em mim com uma intensidade majestosa, porém não se basta se existir apenas aqui dentro. Talvez, seja por isso a lágrima. Porque ainda me sinto metade.

Às vezes a solidão me invade como esse vento que invade as folhas das árvores, por isso em vez de sorrir, choro. Porque ainda me falta a mais bela e complementadora certeza, a mais reconfortante verdade – esse amor que me prende fiel aos meus sentimentos, que dentro de mim já é.

Ei! As folhas voltaram a gargalhar. Vou continuar aqui nessa tarde suavemente ensolarada, assistindo o espetáculo da paisagem e lembrando de você. Quem sabe esse vento que brinca com as folhas me ouça e resolva fazer viagem, levando minha lembrança ao teu pensamento, meus beijos ao teu encontro, meu acalentar ao teu coração, deixando um pouquinho de mim em ti. Apenas  para recordar-te de que se  ainda  me restam sorrisos,  é por causa tua.

*

Enluarada

*

Finalmente veio um pássaro voando,

Pela primeira vez fora do ninho

Você é a canção das suas asas

Você é a melodia que ele canta

Eu literalmente apreciava a paisagem, ao som de Nikka Costa – Midnight – que tocava em meu mp3…Então, decidi deixar aqui essa melodia.

Sussurros ou silêncio – Tanto faz.

Se pudesse realizar meu desejo de estar em teus braços nesse momento, o mundo pararia de girar, o vento deixaria de soprar, tudo seria o silêncio de amar. Silêncio feito para eu em teus ouvidos sussurrar.

Apenas teu beijo doce, encontrando meus lábios sedentos de ti me calaria, mas por pouco. Em teus braços, encontrando meu ninho de proteção, me vendo em teus olhos, meu coração desabrocharia e meus sussurros lhe cobririam. Ouvirias teu nome em meio a delírios, saberias o quanto lhe quero e desejo. Saberias que não posso mais me conter. Que estás dentro de mim, que me entrego a ti totalmente, de corpo e alma… Sussurraria em teu ouvido meus íntimos segredos, meus desejos e meus medos, e sei que me acalmarias com o som de teu coração. Meus lábios proclamariam loucamente a vontade de serem possuídos pelos teus, e saberias integralmente minha decisão de fazer-te feliz, de fazer-te delirar em meu amor, de fazer-te perdido de prazer quando eu viajar em teu corpo. Saberias a temperatura de meu calor e a intensidade do meu amor. Saberias que tem nos braços uma louca – louca pelo som de sua voz, louca pela doçura de seu ser, louca pela essência do homem que és. Em sussurros revelaria que não há mais ninguém além de ti, que não importa o que aconteça estarei aqui perfumando o seu ar com meu cheiro de mulher apaixonada.

Sussurraria em meio aos beijos que lhe roubo, em meio ao passeio de meus lábios por teu corpo, todo o corpo, saboreando, degustando tua fonte de prazer, suave, deliciosamente. Imploraria-lhe para que me fizesse sua. E ao me atender, sussurros surgiriam em meio a gemidos, causados por teus lábios me explorando, as palavras perdendo o sentido… Leria em meus olhos o desejo de ter seu corpo mais uma vez sobre o meu. Seguirias os rumos de meu corpo até alcançar novamente meus lábios, me invadindo docemente, deslizando dentro de mim e nesse sentimento tão intenso de completa entrega, as palavras não se fariam mais necessárias.  Apenas sentirias e saberias que no desassossego dessa forte sensação, bate acelerado um coração que antes de ti não tinha razão.

Mais uma vez ao me perder no infinito de seus olhos, sentindo seus dedos entrelaçados em meus cabelos e você saciando tua fome de mim, noite e dia se misturam. Sussurros ficam sem nexo ante ao idioma falado pelos corpos amantes, mas tudo que sussurrado antes por verdade e apego, por assumir que sou toda tua, que lhe ter é a mim necessário, que deixei o sonho me conduzir nesse sentimento, traduz que tenho sido apenas eu mesma. Lerias agora em meu sorriso de satisfação por saber que lhe dei prazer tanto quanto me deste, o quanto minha alma transparente revela a ti o que sente, tanto em palavras e sussurros, quanto no silêncio de mim em você.

*

Enluarada

*

“Maravilhosa confusão

Entre diálogos e posições

E cada suspiro apaixonado”

Cantare D’amore – Amedeo Minghi