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Universos transbordantes.

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Quando seus lábios fartos me tocaram pela primeira vez, senti como se uma chama ardesse em minha clara pele, e por onde passava, era como se um raiar de sol percorresse a areia fria da manhã, como quando o amanhecer surge beijando o corpo do mar desde os pés do horizonte, até a boca nas ondas que se desmancham, entregues ao seu calor.

Me despi em seus braços, desnudei sonho por sonho, desejo por desejo, anseio por anseio.

Havia noite clara em minha superfície, lua cheia que eu era, superfície que ardia a cada toque dos dedos, a cada intensidade do beijo, a cada respiração profundamente ofegante.

Corpos trêmulos, tímidos, alvejados pelo êxtase do deslizar das mãos – pernas, costas, seios nuca, – e meus cabelos cativos em suas vigorosas mãos, dançando entre seus dedos enquanto pesavas sobre mim.

Ousei brincar com carícias em seu peito, enquanto o perfume da curvatura de seu pescoço me remetia aos jardins do doce prazer. E na ardência dos beijos, que se perdiam e se reencontravam, que de entre os lábios fugiam para outros hemisférios, mordi de leve tuas costas macias, percorri com vigor do início de tua face até o final de teu ombro, no intuito de arrancar-te gemidos, ofegâncias e delírios.

Encontrei teu prazer. No âmago teu, toquei e segurei com uma delicada firmeza, senti o pulsar desejoso de estar dentro de mim.

E os lábios se ardiam, entregues, mistos, os olhares se encontravam e se perdiam, só para se procurarem novamente.

E no momento do pertencer, deslizei-te para dentro de mim, vagarosamente como quem abre as pétalas de uma flor, até te sentir por inteiro, mergulhado em mim como o sol do crepúsculo mergulha em seu poente.

Te fiz oceano – imenso, jorrando vida, enquanto eu aturdida, sentia meu gozo misturado ao teu, indo e vindo, como as ondas, ora suaves deslizando ao raso, ora profundas, quebrando na turbulência do derradeiro escoar do êxtase.

E assim, se fez o amor. E assim, se fez a entrega. Em minha mente, você, simplesmente único. Em teu corpo eu, docemente cálida.

Era chama, raiar de sol, areia, mar, horizontes, infinitos, universos transbordantes que cabiam apenas ali, em nós.

*

Sih

*

Não sou dada a esquecer detalhes.

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Matemática das almas.

praia_solO vento que sopra em minha direção desfaz segredos poéticos e trava deliciosas lutas interiores, em busca de conceder tranquilidade a meu ser recôndito.
Eu não sei o que sinto, se ainda sinto desde então…ou se sempre senti, desde quando meu mundo passou a orbitar um desejo jamais permitido.
É como se duas almas estivessem em um outro plano, um plano paralelo onde a matemática é exata, as somas corretas, sem restos, nem frestas.
É como se eu amanhecesse para sempre e esse amanhecer fosse a eternidade disfarçada de alegria, onde essas almas dançassem sem querer, dando voltas no infinito do amor.
O que sinto é uma ilusão do que não está aqui, mas deve existir em outro lugar, não é possível. É muito forte, é como um norte e uma bússola de tanto que é existente e coerente.
É um universo tangente a esse, e bem perto, onde há praia e mar, uma fogueira e uma conversa amiga. Há um riso e há liberdade floreada, chamuscando com as labaredas, a felicidade borboleteando nos sorrisos que se esvaem quando os olhares se cruzam, se atraem, se puxam e se querem.
Há o beijo roubado e devolvido e há o que nem faça sentido, pois lá onde o amor verdadeiro existe e onde a matemática das almas é exata, o sentir é permitido. Não há posse. Nem minha alma é minha, nem tua alma é tua. Apenas eu cuido e você cuida, sem pressa, sem promessas. A calma preenche o coração e a paz é a mais sublime canção.
Há um lugar, um lar, muito além daqui, acredito, onde tem um leito macio com colchas de seda e almofadas fofas, e se deitar é uma viagem. Sonhar é paisagem, e sempre de passagem, meu lugar nunca é aqui ou ali.  Meu lugar é em um coração que só existiu em meus devaneios e vontades.
Meu lugar é em pensamentos e em letras, onde a satisfação da alma se encontra por acreditar que de alguma forma tudo isso existiu ou existirá. Meu lar errante, meu mundo distante e a calma da alma.

Por Simone Santos – pensamentos de Enluarada.

 

A dama das paisagens.

Inconstância…

Assim que o Sol leva o calor em queda livre no infinito do horizonte, sentada estou a observar um tudo feito de nada que se mantenha inerte. Rosas brancas dançam quais bailarinas esvoaçando saias de tule e cetim, ao som do vento lírico, rodopiando enquanto a brisa canta e espalha o perfume nas camadas coloridas do crepúsculo.

Tudo muda…

O verde do tapete gramado,
vira prata acinzentado,
eis a luz do meu luar.
Os olhos de um ingênuo e indomado
coração em peito alado,
são como céu a desaguar.
As linhas do cabelo trançado,
deslizam qual mar revoltado,
nos bancos de areia do amar.

Nada permanece tão igual…

A noite é filme inacabado, e eu sou desejo infundado, sonho inventado, delírios e devaneios que me salvam nessas paisagens inconstantes.
O despertar vem me avisar que são apenas breves encontros, mas os mais reais possíveis, no plano paralelo do sonhar…porém, são apenas breves encontros. Na manhã que respira a vida, o adeus já foi dito várias vezes, o querer se tornou vício. Vou lá pra mais um pouco de viver lindo. Vou lá, pois quem me visita nas flores ao vento, nas noites e nos sonhos de luz, avista em meus olhos infinitas e mutantes paisagens.

*

Enluarada

*

“Nada dura para sempre. Nem mesmo a fria chuva de novembro…”

 

Distração.

Distraída estava, distraída andava, mas era quase sua tentativa de perfeição que a prendia. Tudo olhava pensando ser exata, pisava no chão evitando as rachaduras por hábito, pulava as poças, apoiava-se no muro, deslizava os dedos pelas grades dos portões para fazer barulho. Achava que estava certa. Mas estava distraída. Horários rigorosos, sentimentos moldados, expectativas frustradas. Tentava. Era o certo afinal, acreditava. O que era aquilo que deixava sua boca seca e um aperto no coração? Desconhecia. Se não houvesse cura, conviveria com isso. Decerto continuar firme em tentativas frustradas de acerto, um dia compensaria – pensava. E ia. Cedo, tarde, noite e madrugada. Até o sono era monitorado inconscientemente, enquanto não dormia. O descanso era apenas uma ilusão, porque se achava uma distraída.

De tanto tentar fixar-se, sucumbiu. Foi como uma folha solta que o vento sopra e de leve leva e quando menos se pensava, surgia. Ávida, a vida descobriu, quando finalmente sem querer se distraiu. Agora era de verdade. De se importar desistiu. Desistiu de esperar pela emoção, desistiu de recolher os cacos só porque se espalhados os outros veriam, resolveu deixar ao léu o coração que já se resguardava apenas à função de bombear o sangue. Agora, nessa distração havia mais sentido do que nas tentativas perfeccionistas de ser modelo aos olhos alheios. Agora, ela descobrira que ao ser ela mesma, havia em quem despertara admiração.

Desnuda de travas, jorrou sentimentos e flertou com o desconhecido. Aquilo que deixava sua boca seca e um aperto no coração continuara, mas transmutara de motivos. O coração apertado agora batia forte, mais pela ansiedade da espera do que pela exigência da angústia. Descobriu que se distraindo, veria mais, prestaria mais atenção, sentiria mais gostos, provaria mais delícias do que quando pensava estar atenta. Percebeu que na ânsia de acertar, tudo parecia dar errado, mas quando se deixou levar, seus rumos encontraram um sentido. Seu coração encontrou uma razão. O que sempre buscara sem perceber, veio a seu encontro, quando havia desistido.

O que era um quadro cinza e desbotado ganhou um colorido animado quando seu peito abriu. Pincéis e tintas figuravam em sua doce desistência de ser infeliz. Agora, não esperava mais. Nem pedia. Nem ficava atenta.

O telefone que não tocava enquanto esperava, lhe causava delírios ao soar no inesperado. Os recados tão aguardados que nunca chegavam lhe emocionavam quando ela os via chegar de supetão. As flores que um dia sonhara receber, e pedia…surgiram em sua frente. Não, não por meio de a quem pediu. Mas por meio de quem jamais esperara. Foi quando parou de observar, de procurar, que encontrou.

Aprendeu que deixando o rio seguir seu fluxo era mais fácil de navegar. Que não poderia segurar os acontecimentos com as mãos. Nem forçá-los com uma alavanca de desespero. Simplesmente passou a respirar e a sentir os perfumes dessa vez. Fosse o que fosse, era o que queria. Livre, ave, sol, sonhos – a realidade abrindo as cortinas. Era a vida se mostrando enquanto ela acreditava que amar era coisa de quem tinha sorte. E era.

*

Enluarada

*

“Há impossibilidade de ser além do que se é …
a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais….” – Clarice Lispector.

Quero sonhar…

Quero sonhar…

com o toque de tuas mãos por minha seda pele

arrepiada pelo êxtase de tua presença.

Quero sonhar…

com o passeio de teus lábios pelos vãos de meu ser

até que qual rio de delírios

desague beijos ao encontro dos meus.

Quero sonhar…

com teus olhos que trazem calma

e que com doçura afagam minha alma

enquanto me dizem em silêncio o que eu sempre soube.

Quero sonhar…

que me aqueces com teus braços

e que perdida em teu abraço possa sentir o calor

de quem minha alma tem esperado.

Quero sonhar…

com tua voz em meus ouvidos sussurrando teus gemidos,

melodiosa poesia declamada em forma de paixão.

Quero sonhar…

que estás aqui tão perto,

que inundou o meu deserto com tua presença,

oásis onde descanso o meu querer.

Quero sonhar…

pois quando lhe tiro de meus sonhos,

te faço real, mesmo à distância, mesmo na ânsia de por ti viver.

Quero sonhar…

porque em meus sonhos não há limites para te amar.

*

Enluarada

*

Meus sonhos são apenas lembranças do que ainda não aconteceu…mas que está dentro de mim.

A luz que me faz amar você.

Caminhando nesta noite que se iniciava,

caindo qual cortina colorida em degradés de tons escuros,

ansiosa esperava o bordado de estrelas surgir.

Cada estrela reluzindo o reflexo do meu olhar.

E de cada uma eu me punha a invejar .

Não, não era o brilho delas que  eu invejava.

Era o fato de saber que de onde elas estão

tanto podem lhe ver quanto podem ser avistadas por ti.

E eu, não…

Porém, por mais que as estrelas brilhem, reluzam, aqueçam,

não podem lhe desejar tanto quanto o meu coração.

Nem podem as estrelas lhe ter nos sonhos,

mesmo tendo todas as noites à disposição .

Essas mesmas estrelas de lá do alto

vêem como nosso mundo é pequeno,

como tudo cabe no espaço do amor,

espaço infinito que se resume ao momento

em que meus olhos encontrarem os teus

pedindo a união de nossos lábios,

quando então a mais brilhante estrela

parecerá insignificante ante a luz que clareia o meu viver.

A luz da tua alma, que me faz amar você .

*

Enluarada

*

Estrelas, levem a meu amado meus beijos incandescentes, meu olhar reluzente e a certeza de que tanto quanto são eternas essas que brilham, assim é meu sentimento.

Que eu seja…amar.

E é no meu silêncio que escrevo com as letras do meu barulho, porque sou pobre de orgulho.

Porque me sinto tão Lua, tão distante, errante, de longe brincando com o mar e jogando a água com força na areia.

Daqui vejo muita coisa. Fico a pensar, o que será? Que assim seja…

E se o mar é amar, que seja em mim o mais intenso, vasto, aberto e imenso – oceano dos olhos meus que um dia desaguarão nos teus.

E se o céu é amar, que seja em mim o mais infinito, estrelado, explorado e mais bonito – asas de um coração que busca a tua direção.

E se viver é amar, que seja a vida mais plena, que a dor seja feita pequena, o que se viveu seja válido, que a luta faça sentido.

E se amar é luz, quero ser a mais forte, brilhar de sul a norte, quero te clarear, com meu calor te abraçar, teu desejo despertar.

E se amar é voar, que eu seja alada em liberdade – nessa força que me invade, que me faz flutuar – seja em pensamento, seja em poesia.

E se amar é escrever, teu corpo: meu papiro, minhas mãos: tinta e pena, minha alma rimando serena na vastidão do meu querer.

E se amar é tudo, que eu seja ainda mais, o universo, o mundo, o transcender, o além de mim, meu eu em você – o começo e o fim.

E se amar é AMAR, que eu seja Lua permanente, chorando o mar no céu espelho, no viver, no sonhar, na tua luz em vôo livre, no teu encanto, porque nunca, simplesmente – NUNCA – amei tanto.

*

Enluarada

*


Encontrei a música perfeita…

“I love you just the way you are,

So come with me and share the view,

I’ll help you see forever too

Hold me now,

touch me now,

I don’t want to live without you…”

(George Benson –  Nothing’s Gonna Change My Love For You)