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Mar aberto.

À deriva  dentro de mim,  pergunto-me:  Quem sou eu?

O hoje, o agora, o amanhã e o depois. Talvez, quem sabe?

Não sou tão definível assim, minha essência é uma alquimia constante, meu interior é mutante. Tenho dentro de mim um oceano, um atlântico mar com suas inúmeras possibilidades.

Me jogo como ondas na areia, me atirando em sentimentos e emoções, recuando na dor, me desmanchando junto com a espuma das ilusões.

Reflito o clarear do Sol e o pratear da Lua, o fervor do calor e a frieza das noites confeccionadas em desejos insaciados, talvez até insaciáveis.   Sou imensa quando amo, e ínfima ao recolher-me da agonia nos momentos de solidão, quando desejo ser amada. Em tormenta me agito ante aos ventos do que não se dissolve e naufrago os pensamentos que me rondam mesmo sabendo que eles retornam à tona nos momentos de calmaria.

No vai e vem dos acontecimentos alheios a minha vontade, no insistir do que não está em minhas mãos, tento sobrepujar a mágoa extravasando em água e sal que escapam dos meus olhos. Meu ser em mar é tão grande e tão intenso que nem consigo mais me alcançar. Nem com todo esse desaguar de ansiedades. É como se eu tentasse domar a tempestade assoprando suas nuvens carregadas para longe. Qualquer coisa entre o conter das águas claras e reflexivas de quem sabe o que é realidade, e luta para não sofrer com isso, e o agitar de tsunamis carregados de amor e paixão, abarrotados de esperanças calculadas no trepidar causado por sons longínquos de um trovoar. O bater de um coração, flutuando sobre a superfície de um mar aberto, um eu navegável, apesar de tudo.

*

Enluarada

*

Os olhos escondem o temor de uma ilusão, o coração explode louco de paixão. Mas é assim é um mistério, amar aberto o coração sincero, como dois loucos ao mar…- (Mar aberto, interpretado pelo inesquecível Jessé.)

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Meu coração acalma o mar que guarda tamanhos segredos,  de versos naufragados e sem tempo… –  (Também na voz de Jessé.)

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Lembranças ao vento.

Folhas balançam ao vento e quando me dou conta você está aqui vivo em meu pensamento. Fico observando as árvores, o vento sussurrando entre as folhas que chacoalham como se estivessem rindo com cócegas, ou coisa assim.

Eu me pego perdida em pensamentos, em como tua presença radiante iluminaria minha vida, em como seria provar o gosto de teus lábios – esses que tanto desejo encostados nos meus – como seria refletir-me no espelho de teus olhos, prender-me nesse mel do teu doce e profundo olhar.

Respiraria o ar ao teu redor, sentindo teu cheiro penetrar em minha alma, provaria do néctar dos teus carinhos, me entregaria a plena calma, mesmo ofegando intensa ao desejar o teu amor. Mas estou aqui, apenas sonhando com tudo isso que se passa como um filme em minha mente, enquanto as folhas dessas árvores dançam, enquanto algumas aves nelas brincam.

O vento parou. As folhas fizeram silêncio. Parece até que resolveram prestar atenção em mim, no momento em que uma lágrima fugiu…Como se me olhassem e quisessem saber o porque.

Dessa lágrima, eu também não pude definir a razão, porque não me sinto triste. Simplesmente sinto falta das palavras de quem me faz imensamente feliz como ninguém jamais fez. Não há tristeza, porque esse amor existe em mim com uma intensidade majestosa, porém não se basta se existir apenas aqui dentro. Talvez, seja por isso a lágrima. Porque ainda me sinto metade.

Às vezes a solidão me invade como esse vento que invade as folhas das árvores, por isso em vez de sorrir, choro. Porque ainda me falta a mais bela e complementadora certeza, a mais reconfortante verdade – esse amor que me prende fiel aos meus sentimentos, que dentro de mim já é.

Ei! As folhas voltaram a gargalhar. Vou continuar aqui nessa tarde suavemente ensolarada, assistindo o espetáculo da paisagem e lembrando de você. Quem sabe esse vento que brinca com as folhas me ouça e resolva fazer viagem, levando minha lembrança ao teu pensamento, meus beijos ao teu encontro, meu acalentar ao teu coração, deixando um pouquinho de mim em ti. Apenas  para recordar-te de que se  ainda  me restam sorrisos,  é por causa tua.

*

Enluarada

*

Finalmente veio um pássaro voando,

Pela primeira vez fora do ninho

Você é a canção das suas asas

Você é a melodia que ele canta

Eu literalmente apreciava a paisagem, ao som de Nikka Costa – Midnight – que tocava em meu mp3…Então, decidi deixar aqui essa melodia.

As palavras são imortais.

Em meu peito meu coração bate louco. Tento encontrar-me, mas não consigo, perco-me.

É que na verdade não estou aqui. Porque estou aí, amando-te.

E presa em lembranças doces, flutuo até ti e as palavras fluem de dentro de mim.Por isso escrevo.

Escrevo sobre a saudade que sinto de sua graça e docilidade, saudade de suas frases sempre tão certas, de suas palavras tão afáveis, de sua voz a mim necessária.

Saudade da sua risada gostosa, de seu jeito de pedir-me as coisas, de fazer-me ceder.

Saudade de como me fazes rir e também chorar lágrimas de emoção.

De como revirastes meu íntimo despertando meu desejo.

Como encontrastes no fundo de meu eu os mais doces sentimentos, e fez-me sentir mais mulher, mais humana.

Reacendi, me descobri. Reencontrei meu chão, meu capricho, minha alegria e inspiração.

Tocou-me fundo sem querer, e agora meu coração está feliz. Meu mundo voltou a girar, minhas imagens tomaram cor.

Surgiu qual anjo em meu caminho, como que caindo em um lugar improvável, é certo. Mas ainda assim acalentou-me com suas asas e curou-me.

Estava em um abismo e sem querer encontraste-me, estendeu a mão e puxou-me.

Ao mesmo tempo enlouqueceu-me em uma estranha e gostosa insanidade que faz bagunça dentro de mim arrebatando meu coração.

Mesmo distante, a solidão não me aflige, pois não me sinto mais só. Carrego suas palavras em meu coração. E quando enfrento tempestades tem sido mais fácil me reerguer.

Dizem que as palavras tem um grande poder e as suas, a mim se tornaram imortais. Marcaram em meu coração, tomaram os meus pensamentos. Trouxeram-me esperança. E agora é com carinho e ternura que constantemente me lembro de ti.

Queria poder lhe dar o mundo, mas tenho apenas meu universo atravancado. Meu coração, este eu não lhe dou. Não posso lhe dar o que já possui.

Então, a mim, resta esperar o tempo passar enquanto sonho com o momento em que poderei entregar-lhe o que conquistaste por mérito: todo meu amor.

*

Enluarada

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Ao som de  Bee Gees – Words Jota Quest – Palavras de um futuro bom.