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No limite do horizonte.

 

amor

Cheguei em meu destino, cansada, na verdade sem nenhum propósito, apenas vim até aqui por uma questão de reviver uma névoa do passado. Larguei minhas malas num canto e após despir-me de minhas roupas e de meus anseios, deixei a água quente do banho fluir por meu corpo como um rio percorre um leito de areia clara.

O tempo aqui passa por mim como se fosse uma viajem sem retorno, nem paisagem, e meus sentidos são guiados por meu coração que se tornou meu guia absoluto, dia e noite.

Nem percebi a noite passar, de tanto que meus pensamentos me distraiam, eram como filmes repetidos, passando vez após vez. Esperei a manhã bem vinda chegar e me dirigi até onde jamais eu deveria ir. Entre batidas intensas e atordoantes, e calmarias reconfortantes, meu coração se alternava na esperança de satisfazer a curiosidade de meu desejo ilusório, de meu ego apaixonado pelo lúdico, inacessível e profano.

E lá estava ele, após o último toque da tarde sombria e invernal, que vinha de mãos dadas com o vento sulino. Os passos pesavam sobre a calçada molhada, o jeito familiar despertava a vontade da proximidade. Os olhos confusos, que fizeram parte de meus sonhos, cintilavam num entardecer de quase lua, mas ainda sol. Aproximei-me as escondidas, mas foi em vão tentar sentir o perfume, o receio, as lembranças e o vento desfavorável não me permitiram sentir seu aroma. Foi a sensação mais suavemente arrebatadora que poderia se provar, a certeza de que só a distância faria desse sentimento algo assim tão belo, nem mais, nem menos.

Uma lágrima escorreu gelada, percorreu minha face formando um caminho e caindo no precipício aos meus pés.

Sim, era ele.

O chão, o céu, meu universo particular e interior.

Era ele,

A chave, a saída, o final do labirinto.

Apenas ele,

a mentira mais verdadeira, a falta mais completa,

Ele,

o beijo sonhado, mais doce, intenso, sentimento infinito.

Passou por mim tão perto, distante. Passou por minhas ilusões em forma de brisa faceira, fugitiva. Eu furtei um momento a dois sem que ele soubesse.

Eu fui até o limite do horizonte, mas não pude ir mais adiante.

A vida separa a noite do dia. Eu sou noite, onde apenas sonhos são reais. Apenas posso olhar à distância com os olhos do sentimento, da ficção.

A maior paixão de minha vida, eu vivi apenas dentro de mim, olhando através das estrelas, dos poemas, do crepúsculo.

Retornei e então refiz minhas malas, rumo ao aconchego, caí nos braços da realidade rotineira – incompletamente feliz.

*

Enluarada

*

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Sou.

Sou maré feita de lua, ora alta, ora baixa, ora onda que se encaixa no vão da areia de um renascer.

Sou o vão também. E areia. Vão do querer, o espaço entre o desejo e o beijo, areia do tempo, corrente entre vidros, despejando momentos.

Sou o transbordar da paixão nesse mar que revolto espalha mistérios, a música que o silêncio canta, a melodia da maresia, dançada pelos ventos.

Sou os contos e mitos, os ditos transcritos, o que puxa para o fundo e eclode em vida, sou a certeza e a dúvida, a destreza no lutar.

Sou teus olhos querendo brilhar, o deitar e o levantar, teu encontro com a paz, teu desvendar.

Sou a barreira do medo, que transformo em brinquedo ou em canção de ninar. E afasto de mim o pavor, o torpor, pois sou…

Sou cartas em garrafas, a ti destinadas, jurando que chegarão, como um raio de sol em meio à escuridão, guiando meu chão, pelo sim, pelo não.

Sou dia, em luz acesa e calor, sou noite, em espera, refletindo luzeiros, coletando estrelas e com elas brilhando.

Sou as belas asas da libertação, sou segredo aberto ao coração, o desvelo ao início de mim, sou zelo.

Sou procura, a tua, que nessas marés se mistura, e ainda vem e vai. Mas sou ainda mais.

Sou o que busco ser. Sou encontro, mesmo que por acontecer, sou abraço, carícia, euforia, emoção.

Sou descoberta, sem negação, maremoto e furacão, por ti sou explosão e aventura, sou a dor e a mesma que cura, sou fera, sou mansa, sou dócil, sou criança.

Sou a esperança do enfim, sou a entrega de mim, a um sentimento que é.

Sou verdadeira, escorro inteira, qual cachoeira nos penhascos onde me encontro, e sou eu em você.

Sou tudo, enquanto puder amar. O eternizar. Porque o amor nos faz ser. Mesmo sem querer.

*

Enluarada, em 23/02/2010

*

 

“Ah, esses versos meus…tão seus…”

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou…

 

Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero
Resposta…

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou…

Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão…

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite…

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante…

A luz que me faz amar você.

Caminhando nesta noite que se iniciava,

caindo qual cortina colorida em degradés de tons escuros,

ansiosa esperava o bordado de estrelas surgir.

Cada estrela reluzindo o reflexo do meu olhar.

E de cada uma eu me punha a invejar .

Não, não era o brilho delas que  eu invejava.

Era o fato de saber que de onde elas estão

tanto podem lhe ver quanto podem ser avistadas por ti.

E eu, não…

Porém, por mais que as estrelas brilhem, reluzam, aqueçam,

não podem lhe desejar tanto quanto o meu coração.

Nem podem as estrelas lhe ter nos sonhos,

mesmo tendo todas as noites à disposição .

Essas mesmas estrelas de lá do alto

vêem como nosso mundo é pequeno,

como tudo cabe no espaço do amor,

espaço infinito que se resume ao momento

em que meus olhos encontrarem os teus

pedindo a união de nossos lábios,

quando então a mais brilhante estrela

parecerá insignificante ante a luz que clareia o meu viver.

A luz da tua alma, que me faz amar você .

*

Enluarada

*

Estrelas, levem a meu amado meus beijos incandescentes, meu olhar reluzente e a certeza de que tanto quanto são eternas essas que brilham, assim é meu sentimento.

Uma lição de Drummond: “Viver NÃO dói.”

Hoje, um post com uma poesia que não é de minha autoria. Escrevi várias pensando nesse momento, mas essa de Drummond simplesmente diz tudo. Dispensa comentários. E em homenagem aos poetas e escritores que falam com o coração, ao poeta que me inspirou e ainda inspira, às pessoas que apreciam poesia e palavras fluidas do coração, essa arte pintada em vermelho sangue, com sentimento, repito aqui as palavras de um grande e apaixonado poeta: Carlos  Drummond de Andrade.

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Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

*

Carlos Drummond de Andrade

*

A única garantia que tenho é o que sinto…estará aqui sempre, eterno ficará, mesmo que de outra forma. Só pela razão de ser, tornou-se impossível desfazer. Em eternas linhas escritas, ou apenas na corrente do tempo como lembrança…fez-se inspiração, logo eternizou-se!

*Por Enluarada*  Ao som de Iluminados – Ivan Lins – Porque o  amor, por mais distante e estranho que pareça,  tem o dom de curar corações!

Reflexões de Lua.

Uma das piores coisas que existem é você querer gritar palavras aos quatro ventos e ter que segurar tudo entalado na garganta. Haja razão para controlar a emoção.

As coisas se repetem em minha vida, é impressionante.

Quando eu vou aprender, não sei. Talvez nunca aprenda. E talvez eu esteja errada. Aprender nunca será o suficiente para uma pessoa que vive de sentir. Sentimento não se aprende. Apenas se sente.

Eu desisti de me entender. Ao refazer minha vida, não quero cometer os mesmos erros. Mas para refazê-la, terei que errar.

Como numa reforma onde precisamos primeiro demolir para depois reconstruir totalmente. Simplesmente não me conformo com uma “maquiagem” básica na vida.

Nunca consegui viver de aparências. Sou o que sou e pronto. Coisas quebradas quando reformadas sempre ficam com marcas. O negócio é fazer de novo.

Sou um poço de sentimento. E derramo esse sentimento a todos que me cercam. E não entendo quando as pessoas parecem simplesmente não notar. O complicado em quem é mais sentimento do que razão é que esperamos que as outras pessoas sintam da mesma forma, com a mesma intensidade, ou pelo menos demonstrem entender o que sentimos. Pior, às vezes nos pegamos insatisfeitos com a forma de pensar e agir de pessoas que não retribuem nossa expressão de sentimento. E claro, vem a frustração ao reconhecer que cada um é cada um com direitos de sentir, raciocinar e amar de seu próprio jeito. E então vem a culpa.

E eu sinto e sinto…sinto tanto, sinto muito. Sinto medo, coragem, amor, pena, desprezo, mágoa. Menos indiferença. Talvez a indiferença me fizesse bem, me anestesiasse. Eu sofreria menos. Mas eis aí uma coisa rara em mim: ser indiferente. Posso ser indiferente quanto a um tipo de comida ou outro, quanto a uma cor ou outra, quanto a um cheiro ou outro. Mas quanto aos sentimentos, jamais.

E por vezes me pego pensando em razões para que outras pessoas deixem de notar e reconhecer isso em mim. Fico inventando justificativas para mim mesma, em prol dessas pessoas.

E sou assim. Sempre busco melhorar, claro. Mas minha essência é essa complicação gostosa de sentir e amar, me entregar,  sofrer…e repetir. Penso, repenso, raciocino, peso, meço choro e girando em círculos olho para dentro de mim novamente e penso: dane-se. É isso mesmo que quero. Ou seria: é isso mesmo que quero sentir?

Múltiplas escolhas, para quem tem múltiplos sentimentos.

Salve-me quem puder. Ame-me quem quiser.

*

Enluarada

*

Proximidade distante

Amor exala por cada célula, cada fagulha de energia viaja, vibra, paira e encontra o destino: o fôlego, o respirar, o bater de um coração.

Sozinha, sonhos e devaneios transformam-me .

A fixação bate à porta , atendo só para encontrar sua imagem dentro de meus pensamentos.

Ao som de uma doce melodia, seu perfume apenas em minha memória, tem cheiro, tem gosto, quase posso tocar sua presença, apenas quase…quase sinto seus lábios e o som de sua voz ao dizer meu nome entre pedidos, poemas e perdições.

Infinito, urge o sentimento abarrotado em meu peito, qual incêndio incontrolável, inevitável, insondável.

Sentimento emergente, clareando a face de minha alma, tal qual nascer do sol abrasador, avassalador – seus olhos em mim queimam, inspiram, acendem…

A forma de amar mais abstrata e absurda, transcendeu , tangeu cada linha de meu ser. Seguirá intenso, emanando até o destino reconhecer.

Sofrido, exilado esse amor em mim encontrado é mapa no labirinto infinito da vida, trancado, marcado e tatuado em mim.

Entender? Desnecessário. Impossível decifrar a presença que inexiste, mas que percorre intensamente meu ser levando à vibração, interiorização, euforia.

Queima, arde, e dói docemente, saudade inerente, espera constante, te querer se tornou um vício, maravilhoso desespero, incansável busca.

Pensamentos, incertezas, inseguranças, longe de ti surgem. Seu sorriso minha calmaria, sua presença meu refúgio, meu desejo, querer, realizar, viver.

Não há disfarce, nem segredo em minha alma.

A porta se abre me permitindo entrar nessa reviravolta que é te amar assim pelo vento, pelo avesso, nessa distante proximidade -como posso sentir-te tão perto, tão em mim?

Marco os rumos dessa história te encontrando dentro de mim, apenas dentro de mim, por meio de palavras escritas, faladas, recitadas, mas em meus sonhos, são palavras beijadas, apaixonadas, palavras vivas.

E enquanto passo dias sem lhe ver, sem lhe ter, sem saber, corro louca contra o tempo, quase destruo relógios, que gotejam segundos, gota a gota, um a um, pouco a pouco. Silêncio.

A doce melodia ainda toca e encontra sua presença além de mim, e seu toque imaginado me acende e me joga em um emaranhado de sentir, despertando meus sentidos em cada centímetro de meu ser que vive prestes a por você se perder.

Profundo, pela mão do amor guiado, sentimento espalhado, por lençóis feitos de estrelas, estrelas que vejo, que vês, que clareiam a esperança, reluzem o acontecer.

Quando há de ser?

Nesse gosto, nesse cheiro, que me remete ao seu encontro, meu coração viaja inteiro, querendo acalmar-se, querendo entregar-se.

E em ti, encontra-se, revive.

Enquanto nessas juras e rimas, no tempo em que nossas vidas se cruzaram, vou sentindo apenas, quase, sua presença, que ainda paira atrás da porta de meus pensamentos aficionados e perdidos por ti, apenas por ti.

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Enluarada

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“Longe de ti, tudo parou…vem me fazer feliz porque eu te amo, você desagua em mim e eu oceano, me  esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você.”Djavan.