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Leitura íntima.

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O fogo dança na lareira, lento, quase ao ritmo da canção que toca. É inevitável, o calor que emana me faz sentir tua presença me invadindo e a vontade de ti já não pode mais ser contida. Meu olhar, sob o efeito das cores que o flamejar das labaredas mesclam aos contornos de teu corpo, fita o que em sonhos eternizados almejei dia após dia.

Minhas mãos, aquecidas pelas chamas intensas de meu amor se perdem, cativas na vontade de deslizarem por cada centímetro teu. Com elas, faço a leitura mais perfeita dos contornos mais recônditos de teu corpo delirante. Leio teus olhos fechados com as pontas de meus dedos que intensos percorrem tua face, alcançam teus lábios. Leio teu desejo em tua superfície eriçada em arrepios, meu tato provocando calafrios, desvendando o percurso que me guia a teu prazer.

Leio quando te encantas, quando sentes, quando vibras e guiada por teus sentidos atiçados, o deslizar de mim por ti funde-nos em uma mistura de carícias e fome, anseios e sede, saciados nessa troca de contato. Meu tato te lê ávido ao tocar-te cada vez mais intimamente e muito mais profundamente despertar em sensações essa atmosfera viva e intensa.

Toques que se transformam em abraços, braços que se percorrem, corpos que se procuram, lábios que se misturam. Bocas que se encontram, que se perdem de si em busca de mais  e retornam na saudade do beijar. E teu olhar…me reflete em sentimentos, em reprise do momento, momento indefinível, abstrato – esse do amar – do queimar sem doer, do consumir-se sem perder.

Ao dominar-me nesse leito de paixão,ao tomar-me por inteira e adentrar-se em mim, faz-me conhecer as sensações mais absurdamente intensas, insanas. E na leitura que fazemos de nossos desejos, extinguimos qualquer mistério, unimos nossos hemisférios, exalamos êxtase, explodimos em emoções. Eu e você, sentindo-nos, lendo-nos, no mais extremo sensitivo literário dos amantes.

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Enluarada

 

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Meu corpo te pede, minha alma te chama de tal forma que se faz em mim o anseio de que abras as portas dos meus sentimentos e entre  no recinto de meu ser, penetrando intensamente em minha vida e fazendo-me viver o mais ardente  de todos os amores…

 

Ao som de Ronan Keating – When you say nothing at all

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