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Navegue-me.

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O ar me falta, a sanidade não volta. Entorpecida de desejo estou, preciso de teu amor expresso em toques, voz e presença. A ilusão de teu olhar me envolve e te degusto em devaneios e alucinações.

Teu sabor é marcante, teu perfume inebriante, teu toque me eriça, teu calor me atiça.

Desliza por meu corpo como se viaja pelo mar, navega-me nau de meu querer, e se entregue ao que sinto de mais intenso. Entre braços e pernas sirvo-te, sorvo-te e entre o que me perco, procuro-te.

De olhos fechados os sentidos do mais e mais, sinta! São meus lábios a caça dos teus percorrendo-te todo em atalhos e delongas, em detalhes e curvas. Passeio suavemente como ave a flutuar e então me atiro em frenesi como faminta a te devorar. Dissolvo teus instintos em meu nu, em meu despejar de delírios. Morda-me como quem possui, possua como quem não tem pressa, quando o tempo cessa, hei de querer-te mais.

Seja por mim e eu por ti, se minha língua não disser é porque está perdida em teu céu e as palavras são mais ofegadas do que ditas. Cada curva, cada poro, cada centímetro meu, quero no corpo teu e cada segundo quero ver-te ir e vir, como numa melodia, dançando dentro de mim, me segurando junto a ti nessa mescla de sensações inexplicavelmente extasiantes .

Beba em minha boca, sou tua fonte, busque-se em meus olhos, espelhe-se em quem te ama, desmanche-se no depois. Pois sou colo que sacia enquanto tu és paixão que vicia. Olha – percorra-me com o olhar também, ilumina-me antes de se fazer meia luz, perceba o que te seduz, seja meu leito, em ti me deito. És minha noite onde clareio o meu luar, sou lume aceso, minha chama arde quando teu corpo me invade e sinto teu peso na confirmação de que pulsas enquanto em mim.

Sim, sussurre seus gemidos, leia meus sentidos, tuas mãos podem rondar-me onde sei que queres ir. Então vá, ao menos por essa noite seja o que me faz ter a certeza desse amar, navegue-me como em um mar, e se conseguires voltar – fique à deriva nessa atmosfera que nos envolve, pois perder-se assim é encontrar-se em mim. Só teus lábios agora, apenas teus lábios molhados nos meus…descansando os beijos, ancorando tua lembrança no cais do meu coração.

*

Enluarada

*

“Eu te amo mais a cada respiração, Verdadeira, louca e intensamente…” – Savage Garden – Truly Madly Deeply

Poema para o Sol.

Tanta coisa se passa em meu interior, tanta tempestade, tantos sentimentos conturbados, mas no fim, quando paro e penso, quando meus olhos estiam, quando olho  dentro do meu coração, apenas escuto a minha canção…ela ainda não está pronta, ela ainda é apenas poesia. Mas talvez ela nunca fique totalmente pronta, porque essa poesia que habita em mim flui infinita. São letras doces acompanhadas de melodia calma. E é tanta coisa que sinto ao tentar lembrar, tanta coisa… Queria ser um passarinho e poder voar, e talvez em um ninho me aconchegar nos momentos de frio, queria ser uma flor, queria ser a alegria e despertar sorrisos, queria ser  motivação e  força, queria ver que o brilho nos olhos da felicidade. Queria ser a primeira imagem no amanhecer, ou então poder ver os olhos de quem amo se fecharem em sono tranqüilo, por causa da calma no coração.  Aqui dentro de mim eu queria ser tanta coisa, mas posso apenas ser palavras. Ainda bem, porque  as palavras podem  me transformar em qualquer coisa. E assim, escrevendo, me transformo em beijos, me converto em frases  e nem o infinito pode vencer o poder dos versos em mim. Minhas rimas são minhas mãos segurando 0 horizonte, e conseguem até sentir o calor do toque. Sou lua e meu poema é para o

Sol…

Tua fonte de luz habita

Os desejos do meu coração

Em beijos raiados

E carinhos escritos

És o astro que aquece

És a ausência que me preenche

És a saudade que me conforta

Tenho flores nas mãos

E néctar nos lábios

E o medo fugiu de mim

Sinta, apenas estou aqui

E ante a tudo que vi e vivi

Descobrindo inspirações

A poesia em mim continua

Sempre minha, sempre tua

e continua…

*

Enluarada

*

“Espero que você não se importe que eu exprima em palavras, quão maravilhosa é a vida enquanto você está em meu mundo…” (Your song – Elton John)

As palavras são imortais.

Em meu peito meu coração bate louco. Tento encontrar-me, mas não consigo, perco-me.

É que na verdade não estou aqui. Porque estou aí, amando-te.

E presa em lembranças doces, flutuo até ti e as palavras fluem de dentro de mim.Por isso escrevo.

Escrevo sobre a saudade que sinto de sua graça e docilidade, saudade de suas frases sempre tão certas, de suas palavras tão afáveis, de sua voz a mim necessária.

Saudade da sua risada gostosa, de seu jeito de pedir-me as coisas, de fazer-me ceder.

Saudade de como me fazes rir e também chorar lágrimas de emoção.

De como revirastes meu íntimo despertando meu desejo.

Como encontrastes no fundo de meu eu os mais doces sentimentos, e fez-me sentir mais mulher, mais humana.

Reacendi, me descobri. Reencontrei meu chão, meu capricho, minha alegria e inspiração.

Tocou-me fundo sem querer, e agora meu coração está feliz. Meu mundo voltou a girar, minhas imagens tomaram cor.

Surgiu qual anjo em meu caminho, como que caindo em um lugar improvável, é certo. Mas ainda assim acalentou-me com suas asas e curou-me.

Estava em um abismo e sem querer encontraste-me, estendeu a mão e puxou-me.

Ao mesmo tempo enlouqueceu-me em uma estranha e gostosa insanidade que faz bagunça dentro de mim arrebatando meu coração.

Mesmo distante, a solidão não me aflige, pois não me sinto mais só. Carrego suas palavras em meu coração. E quando enfrento tempestades tem sido mais fácil me reerguer.

Dizem que as palavras tem um grande poder e as suas, a mim se tornaram imortais. Marcaram em meu coração, tomaram os meus pensamentos. Trouxeram-me esperança. E agora é com carinho e ternura que constantemente me lembro de ti.

Queria poder lhe dar o mundo, mas tenho apenas meu universo atravancado. Meu coração, este eu não lhe dou. Não posso lhe dar o que já possui.

Então, a mim, resta esperar o tempo passar enquanto sonho com o momento em que poderei entregar-lhe o que conquistaste por mérito: todo meu amor.

*

Enluarada

*

Ao som de  Bee Gees – Words Jota Quest – Palavras de um futuro bom.

Proximidade distante

Amor exala por cada célula, cada fagulha de energia viaja, vibra, paira e encontra o destino: o fôlego, o respirar, o bater de um coração.

Sozinha, sonhos e devaneios transformam-me .

A fixação bate à porta , atendo só para encontrar sua imagem dentro de meus pensamentos.

Ao som de uma doce melodia, seu perfume apenas em minha memória, tem cheiro, tem gosto, quase posso tocar sua presença, apenas quase…quase sinto seus lábios e o som de sua voz ao dizer meu nome entre pedidos, poemas e perdições.

Infinito, urge o sentimento abarrotado em meu peito, qual incêndio incontrolável, inevitável, insondável.

Sentimento emergente, clareando a face de minha alma, tal qual nascer do sol abrasador, avassalador – seus olhos em mim queimam, inspiram, acendem…

A forma de amar mais abstrata e absurda, transcendeu , tangeu cada linha de meu ser. Seguirá intenso, emanando até o destino reconhecer.

Sofrido, exilado esse amor em mim encontrado é mapa no labirinto infinito da vida, trancado, marcado e tatuado em mim.

Entender? Desnecessário. Impossível decifrar a presença que inexiste, mas que percorre intensamente meu ser levando à vibração, interiorização, euforia.

Queima, arde, e dói docemente, saudade inerente, espera constante, te querer se tornou um vício, maravilhoso desespero, incansável busca.

Pensamentos, incertezas, inseguranças, longe de ti surgem. Seu sorriso minha calmaria, sua presença meu refúgio, meu desejo, querer, realizar, viver.

Não há disfarce, nem segredo em minha alma.

A porta se abre me permitindo entrar nessa reviravolta que é te amar assim pelo vento, pelo avesso, nessa distante proximidade -como posso sentir-te tão perto, tão em mim?

Marco os rumos dessa história te encontrando dentro de mim, apenas dentro de mim, por meio de palavras escritas, faladas, recitadas, mas em meus sonhos, são palavras beijadas, apaixonadas, palavras vivas.

E enquanto passo dias sem lhe ver, sem lhe ter, sem saber, corro louca contra o tempo, quase destruo relógios, que gotejam segundos, gota a gota, um a um, pouco a pouco. Silêncio.

A doce melodia ainda toca e encontra sua presença além de mim, e seu toque imaginado me acende e me joga em um emaranhado de sentir, despertando meus sentidos em cada centímetro de meu ser que vive prestes a por você se perder.

Profundo, pela mão do amor guiado, sentimento espalhado, por lençóis feitos de estrelas, estrelas que vejo, que vês, que clareiam a esperança, reluzem o acontecer.

Quando há de ser?

Nesse gosto, nesse cheiro, que me remete ao seu encontro, meu coração viaja inteiro, querendo acalmar-se, querendo entregar-se.

E em ti, encontra-se, revive.

Enquanto nessas juras e rimas, no tempo em que nossas vidas se cruzaram, vou sentindo apenas, quase, sua presença, que ainda paira atrás da porta de meus pensamentos aficionados e perdidos por ti, apenas por ti.

*****

Enluarada

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“Longe de ti, tudo parou…vem me fazer feliz porque eu te amo, você desagua em mim e eu oceano, me  esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você.”Djavan.

Lembrança Inventada

bem e jenny

Saudade define a falta, a necessidade do que já se teve e não tem mais. Ou não.

Sinto saudades do que nunca tive em minhas mãos. Ela aflora tomando lugar em mim dando vazão ao desespero. Como já lhe quis! Estás tão longe! Já posso ver meu reflexo nas lágrimas que se acumulam a meus pés, como em frente a um espelho quebrado vejo-me em pedaços. Encolho-me e me enrolo, choro. Os lençóis brancos estendidos no quintal trazem a recordação do que nunca aconteceu… Sonhos, devaneios apenas, mas tão reais! Como a lembrança daquela rosa que não me destes, mas que posso sentir o perfume e a dor ao espetar meus dedos em seus espinhos, assim como a sensação de seus olhos profundos prendendo os meus e o sabor da lágrima do adeus. Ao relento, vislumbro as constelações no céu, seu sorriso se abre pra mim reluzente como a via Láctea e o frescor da noite acaricia meu rosto como se fosse seu hálito, tão próximo, tão extasiante, inspiro sentindo o bouquet que me atordoa.

Quando foi que me viciei no que nunca provei? Mas se não fosses vício, não sentiria abstinência nem reações colaterais recorrentes dessa ausência. Meu coração bate descompassado, parece que vai falhar e então prova mais dessa lembrança inventada passando a fluir seus batimentos como asas de colibri. Talvez eu me torne um colibri, ou alguma ave migratória e podendo voar arranque essa distância pela raiz, mesmo que ao findar a viagem, caia a seus pés, cansada e ferida ansiando que me acolhas, afague-me e sinta ao menos, pena daquela que personificou o significado da palavra saudade.