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A dama das paisagens.

Inconstância…

Assim que o Sol leva o calor em queda livre no infinito do horizonte, sentada estou a observar um tudo feito de nada que se mantenha inerte. Rosas brancas dançam quais bailarinas esvoaçando saias de tule e cetim, ao som do vento lírico, rodopiando enquanto a brisa canta e espalha o perfume nas camadas coloridas do crepúsculo.

Tudo muda…

O verde do tapete gramado,
vira prata acinzentado,
eis a luz do meu luar.
Os olhos de um ingênuo e indomado
coração em peito alado,
são como céu a desaguar.
As linhas do cabelo trançado,
deslizam qual mar revoltado,
nos bancos de areia do amar.

Nada permanece tão igual…

A noite é filme inacabado, e eu sou desejo infundado, sonho inventado, delírios e devaneios que me salvam nessas paisagens inconstantes.
O despertar vem me avisar que são apenas breves encontros, mas os mais reais possíveis, no plano paralelo do sonhar…porém, são apenas breves encontros. Na manhã que respira a vida, o adeus já foi dito várias vezes, o querer se tornou vício. Vou lá pra mais um pouco de viver lindo. Vou lá, pois quem me visita nas flores ao vento, nas noites e nos sonhos de luz, avista em meus olhos infinitas e mutantes paisagens.

*

Enluarada

*

“Nada dura para sempre. Nem mesmo a fria chuva de novembro…”

 

Quero sonhar…

Quero sonhar…

com o toque de tuas mãos por minha seda pele

arrepiada pelo êxtase de tua presença.

Quero sonhar…

com o passeio de teus lábios pelos vãos de meu ser

até que qual rio de delírios

desague beijos ao encontro dos meus.

Quero sonhar…

com teus olhos que trazem calma

e que com doçura afagam minha alma

enquanto me dizem em silêncio o que eu sempre soube.

Quero sonhar…

que me aqueces com teus braços

e que perdida em teu abraço possa sentir o calor

de quem minha alma tem esperado.

Quero sonhar…

com tua voz em meus ouvidos sussurrando teus gemidos,

melodiosa poesia declamada em forma de paixão.

Quero sonhar…

que estás aqui tão perto,

que inundou o meu deserto com tua presença,

oásis onde descanso o meu querer.

Quero sonhar…

pois quando lhe tiro de meus sonhos,

te faço real, mesmo à distância, mesmo na ânsia de por ti viver.

Quero sonhar…

porque em meus sonhos não há limites para te amar.

*

Enluarada

*

Meus sonhos são apenas lembranças do que ainda não aconteceu…mas que está dentro de mim.

Olhos da alma.

Enxergo-te com os olhos da alma. Há muito tempo que para mim tu és muito mais do que os lábios que desejo e o corpo que anseio junto ao meu. Perfeita essência de amizade, o dom da verdade que imortaliza o amor em meu coração.

É canção da brisa suave que traz longínquos segredos que me revelam o puro querer, é meu doce carinho que aguarda poder voar e pousar no teu ninho. São estrelas que brincam de brilhar como se fossem migalhas de luz conduzindo-me no caminho ao teu encontro, é o chão de céu que me faz enluarada quando penso no teu raiar de sol.

Raiar que me clareia e incendeia meus sentimentos, lume de emoções atiçando essa ânsia quase que inconsciente, inconsequente, espontânea. Sinto-te com o sentir mais profundo, sem ter explicações nem porquês. Apenas sinto-te perto mesmo estando longe, como a senda clara da lua riscando o mar feito giz luminoso, como se fosse um beijo ardente no momento em que o horizonte toca o oceano.

Quero-te como o pulsar de minhas veias que me mantêm viva, como o ar que me rodeia e traz perfumes que me fazem te imaginar. Encontro razões lúcidas ao mesmo tempo em que mergulho em sonhos mágicos, entrelaço meus dedos nas mãos do tempo e puxo com afinco desejando ser atendida: vem! Traga-me a alegria de teu olhar e sorriso, deixe que eu me perca no teu paraíso, faça de mim teu oásis se houver deserto perto, faça-me teu leito e descanse na paz que quero te dar.

Assim como o infinito existe e não se vê, e nele cabe tanto quanto o universo puder fluir, assim é a dimensão de minha esperança baseada nessa entrega. Dela não posso fugir estando rodeada por esse espaço onde tudo me lembra você.

*

Enluarada

*

“És vertente de palavras formando um lago de emoções, tomando minha existência com tudo o que eu sempre quis sentir.”

Navegue-me.

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O ar me falta, a sanidade não volta. Entorpecida de desejo estou, preciso de teu amor expresso em toques, voz e presença. A ilusão de teu olhar me envolve e te degusto em devaneios e alucinações.

Teu sabor é marcante, teu perfume inebriante, teu toque me eriça, teu calor me atiça.

Desliza por meu corpo como se viaja pelo mar, navega-me nau de meu querer, e se entregue ao que sinto de mais intenso. Entre braços e pernas sirvo-te, sorvo-te e entre o que me perco, procuro-te.

De olhos fechados os sentidos do mais e mais, sinta! São meus lábios a caça dos teus percorrendo-te todo em atalhos e delongas, em detalhes e curvas. Passeio suavemente como ave a flutuar e então me atiro em frenesi como faminta a te devorar. Dissolvo teus instintos em meu nu, em meu despejar de delírios. Morda-me como quem possui, possua como quem não tem pressa, quando o tempo cessa, hei de querer-te mais.

Seja por mim e eu por ti, se minha língua não disser é porque está perdida em teu céu e as palavras são mais ofegadas do que ditas. Cada curva, cada poro, cada centímetro meu, quero no corpo teu e cada segundo quero ver-te ir e vir, como numa melodia, dançando dentro de mim, me segurando junto a ti nessa mescla de sensações inexplicavelmente extasiantes .

Beba em minha boca, sou tua fonte, busque-se em meus olhos, espelhe-se em quem te ama, desmanche-se no depois. Pois sou colo que sacia enquanto tu és paixão que vicia. Olha – percorra-me com o olhar também, ilumina-me antes de se fazer meia luz, perceba o que te seduz, seja meu leito, em ti me deito. És minha noite onde clareio o meu luar, sou lume aceso, minha chama arde quando teu corpo me invade e sinto teu peso na confirmação de que pulsas enquanto em mim.

Sim, sussurre seus gemidos, leia meus sentidos, tuas mãos podem rondar-me onde sei que queres ir. Então vá, ao menos por essa noite seja o que me faz ter a certeza desse amar, navegue-me como em um mar, e se conseguires voltar – fique à deriva nessa atmosfera que nos envolve, pois perder-se assim é encontrar-se em mim. Só teus lábios agora, apenas teus lábios molhados nos meus…descansando os beijos, ancorando tua lembrança no cais do meu coração.

*

Enluarada

*

“Eu te amo mais a cada respiração, Verdadeira, louca e intensamente…” – Savage Garden – Truly Madly Deeply

Que eu seja…amar.

E é no meu silêncio que escrevo com as letras do meu barulho, porque sou pobre de orgulho.

Porque me sinto tão Lua, tão distante, errante, de longe brincando com o mar e jogando a água com força na areia.

Daqui vejo muita coisa. Fico a pensar, o que será? Que assim seja…

E se o mar é amar, que seja em mim o mais intenso, vasto, aberto e imenso – oceano dos olhos meus que um dia desaguarão nos teus.

E se o céu é amar, que seja em mim o mais infinito, estrelado, explorado e mais bonito – asas de um coração que busca a tua direção.

E se viver é amar, que seja a vida mais plena, que a dor seja feita pequena, o que se viveu seja válido, que a luta faça sentido.

E se amar é luz, quero ser a mais forte, brilhar de sul a norte, quero te clarear, com meu calor te abraçar, teu desejo despertar.

E se amar é voar, que eu seja alada em liberdade – nessa força que me invade, que me faz flutuar – seja em pensamento, seja em poesia.

E se amar é escrever, teu corpo: meu papiro, minhas mãos: tinta e pena, minha alma rimando serena na vastidão do meu querer.

E se amar é tudo, que eu seja ainda mais, o universo, o mundo, o transcender, o além de mim, meu eu em você – o começo e o fim.

E se amar é AMAR, que eu seja Lua permanente, chorando o mar no céu espelho, no viver, no sonhar, na tua luz em vôo livre, no teu encanto, porque nunca, simplesmente – NUNCA – amei tanto.

*

Enluarada

*


Encontrei a música perfeita…

“I love you just the way you are,

So come with me and share the view,

I’ll help you see forever too

Hold me now,

touch me now,

I don’t want to live without you…”

(George Benson –  Nothing’s Gonna Change My Love For You)

Diário de uma flor.

Setembro

Tão pequena me sinto, e sufocada. Há terra em mim e o peso é grande. Um aperto no peito e sinto como se eu fosse explodir. Porém o meu desejo era que a terra se abrisse. Está frio, escuro e quase vazio. Vou fechar meus olhos…

Outubro

Ei, o que está havendo? Apesar do que sofri, sinto meus braços mais livres embora o peso ainda exista. Sinto um leve calor que vem não sei de onde, não sei a origem. Vou colocar minha raiz aqui. Sinto sede, a de amor. Ei, você que me deu água, agradecida. Quem é você que me aqueceu? Valeu! Estranho, mas agora posso respirar, é como se a minha redoma tivesse sido removida. Até que enfim senti a vida! Fantástico poder me mostrar. Vou subir à superfície e olhar!

Novembro

Uau, quanta luz! Quem é você assim tão brilhante e quente? Me fez crescer interiormente e agora minhas palavras desabrocham nessa troca de luz e calor. Faz assim, te dou o meu amor! Eu fico aqui, estou plantada, tenho raiz, mas sou livre enfim! Adoro essa tua luz em mim!

Dezembro

Impressionante como estão me admirando, como dizem que sou linda e ainda sou um botão. Deve ser meu coração, ele está tão preenchido que me dá viçosidade. É uma sensação tão única, penso até não ser verdade. Mesmo ainda tão fechada posso ouvir o som da distância. Logo quero me abrir, mas devo ter paciência…

Janeiro

Nublou! Cadê a luz? A água perece que secou. Só um pouco mais de amor…Ei nuvem, sai da frente, eu quero olhar! Não, não precisa estiar, afinal de rega eu vou precisar. Mas eu queria olhar.

Fevereiro

Parei pra respirar fundo, sentes? Há um perfume saindo de mim. Estão me chamando de jasmim e sorrindo vejo a luz e ainda sinto o calor. Viu o meu desabrochar? Conseqüência desse amar. É lindo poder alegrar, os corações tocar e percebi aqui dentro um sentimento forte se espalhar. Sinta meu cheiro, olha a minha cor! Enfim sou tua flor! Colha-me, por favor?

Março

Hum, pétalas. Uma caiu de mim. Ainda estou aqui, não compreendo. Juro que queria ir. Mas tudo bem, ainda assim apenas sentir a luz é bom. Oh, outra pétala caiu…isso dói aqui dentro, essa solidão. Eu só queria ouvir uma canção. Canta para mim?

Abril

Olho no chão ao meu redor e me vejo inteira ali. Não – não me vejo inteira, vejo os meus pedaços. Minhas pétalas…me sinto estranha, mas alguém me disse que havia de ser assim. Depois da deprimência antes do renascer, senti o calor a vida e a beleza, descobri minha natureza e escrevi a minha história. Agora vejo minhas pétalas desvanecendo, enfeitando o chão, e eu nem fui colhida, nem fui beijada. Apenas sei que talvez fui amada. Mas o mais estranho é que mesmo assim nunca me senti tão plena. Acho que é porque finalmente entendi. É que por mais solidão que haja – depois que se vê a luz do Sol a gente se acostuma a ser feliz. Porém, aos poucos se vai descobrindo nossa missão na vida, nossos dons e acaba-se entendendo afinal, que para produzir bons frutos e sementes na continuidade da existência, às vezes é necessário morrer por dentro um pouquinho…

*

Enluarada

*

Se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores por onde eu vim…dentro do meu coração – Se eu não te amasse tanto assim – Ivete Sangalo.

Poema para o Sol.

Tanta coisa se passa em meu interior, tanta tempestade, tantos sentimentos conturbados, mas no fim, quando paro e penso, quando meus olhos estiam, quando olho  dentro do meu coração, apenas escuto a minha canção…ela ainda não está pronta, ela ainda é apenas poesia. Mas talvez ela nunca fique totalmente pronta, porque essa poesia que habita em mim flui infinita. São letras doces acompanhadas de melodia calma. E é tanta coisa que sinto ao tentar lembrar, tanta coisa… Queria ser um passarinho e poder voar, e talvez em um ninho me aconchegar nos momentos de frio, queria ser uma flor, queria ser a alegria e despertar sorrisos, queria ser  motivação e  força, queria ver que o brilho nos olhos da felicidade. Queria ser a primeira imagem no amanhecer, ou então poder ver os olhos de quem amo se fecharem em sono tranqüilo, por causa da calma no coração.  Aqui dentro de mim eu queria ser tanta coisa, mas posso apenas ser palavras. Ainda bem, porque  as palavras podem  me transformar em qualquer coisa. E assim, escrevendo, me transformo em beijos, me converto em frases  e nem o infinito pode vencer o poder dos versos em mim. Minhas rimas são minhas mãos segurando 0 horizonte, e conseguem até sentir o calor do toque. Sou lua e meu poema é para o

Sol…

Tua fonte de luz habita

Os desejos do meu coração

Em beijos raiados

E carinhos escritos

És o astro que aquece

És a ausência que me preenche

És a saudade que me conforta

Tenho flores nas mãos

E néctar nos lábios

E o medo fugiu de mim

Sinta, apenas estou aqui

E ante a tudo que vi e vivi

Descobrindo inspirações

A poesia em mim continua

Sempre minha, sempre tua

e continua…

*

Enluarada

*

“Espero que você não se importe que eu exprima em palavras, quão maravilhosa é a vida enquanto você está em meu mundo…” (Your song – Elton John)