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Uns e outros…venenos e ostras.

Há pessoas que têm a beleza cristalina e angelical de uma água viva, passando com falsa leveza ao nosso redor, até que ao tocarem em nossas vidas nos mostram o veneno ardente de suas atitudes, palavras, seus pensamentos e sentimentos.

Enquanto isso, algumas pessoas se fecham como ostras e passam a construir valiosas pérolas no silêncio de seu interior, onde estabelecem idéias e ideais sem a constante necessidade de se auto-afirmarem em público às custas de fofocas e depreciação de outrem , mostrando assim que o brilhantismo do caráter compensa a medíocridade dos que dedicam-se mais a vida alheia do que a própria vida.

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Enluarada

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A dama das paisagens.

Inconstância…

Assim que o Sol leva o calor em queda livre no infinito do horizonte, sentada estou a observar um tudo feito de nada que se mantenha inerte. Rosas brancas dançam quais bailarinas esvoaçando saias de tule e cetim, ao som do vento lírico, rodopiando enquanto a brisa canta e espalha o perfume nas camadas coloridas do crepúsculo.

Tudo muda…

O verde do tapete gramado,
vira prata acinzentado,
eis a luz do meu luar.
Os olhos de um ingênuo e indomado
coração em peito alado,
são como céu a desaguar.
As linhas do cabelo trançado,
deslizam qual mar revoltado,
nos bancos de areia do amar.

Nada permanece tão igual…

A noite é filme inacabado, e eu sou desejo infundado, sonho inventado, delírios e devaneios que me salvam nessas paisagens inconstantes.
O despertar vem me avisar que são apenas breves encontros, mas os mais reais possíveis, no plano paralelo do sonhar…porém, são apenas breves encontros. Na manhã que respira a vida, o adeus já foi dito várias vezes, o querer se tornou vício. Vou lá pra mais um pouco de viver lindo. Vou lá, pois quem me visita nas flores ao vento, nas noites e nos sonhos de luz, avista em meus olhos infinitas e mutantes paisagens.

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Enluarada

*

“Nada dura para sempre. Nem mesmo a fria chuva de novembro…”

 

Sou.

Sou maré feita de lua, ora alta, ora baixa, ora onda que se encaixa no vão da areia de um renascer.

Sou o vão também. E areia. Vão do querer, o espaço entre o desejo e o beijo, areia do tempo, corrente entre vidros, despejando momentos.

Sou o transbordar da paixão nesse mar que revolto espalha mistérios, a música que o silêncio canta, a melodia da maresia, dançada pelos ventos.

Sou os contos e mitos, os ditos transcritos, o que puxa para o fundo e eclode em vida, sou a certeza e a dúvida, a destreza no lutar.

Sou teus olhos querendo brilhar, o deitar e o levantar, teu encontro com a paz, teu desvendar.

Sou a barreira do medo, que transformo em brinquedo ou em canção de ninar. E afasto de mim o pavor, o torpor, pois sou…

Sou cartas em garrafas, a ti destinadas, jurando que chegarão, como um raio de sol em meio à escuridão, guiando meu chão, pelo sim, pelo não.

Sou dia, em luz acesa e calor, sou noite, em espera, refletindo luzeiros, coletando estrelas e com elas brilhando.

Sou as belas asas da libertação, sou segredo aberto ao coração, o desvelo ao início de mim, sou zelo.

Sou procura, a tua, que nessas marés se mistura, e ainda vem e vai. Mas sou ainda mais.

Sou o que busco ser. Sou encontro, mesmo que por acontecer, sou abraço, carícia, euforia, emoção.

Sou descoberta, sem negação, maremoto e furacão, por ti sou explosão e aventura, sou a dor e a mesma que cura, sou fera, sou mansa, sou dócil, sou criança.

Sou a esperança do enfim, sou a entrega de mim, a um sentimento que é.

Sou verdadeira, escorro inteira, qual cachoeira nos penhascos onde me encontro, e sou eu em você.

Sou tudo, enquanto puder amar. O eternizar. Porque o amor nos faz ser. Mesmo sem querer.

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Enluarada, em 23/02/2010

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“Ah, esses versos meus…tão seus…”

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou…

 

Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero
Resposta…

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou…

Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão…

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite…

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante…

Olhos da alma.

Enxergo-te com os olhos da alma. Há muito tempo que para mim tu és muito mais do que os lábios que desejo e o corpo que anseio junto ao meu. Perfeita essência de amizade, o dom da verdade que imortaliza o amor em meu coração.

É canção da brisa suave que traz longínquos segredos que me revelam o puro querer, é meu doce carinho que aguarda poder voar e pousar no teu ninho. São estrelas que brincam de brilhar como se fossem migalhas de luz conduzindo-me no caminho ao teu encontro, é o chão de céu que me faz enluarada quando penso no teu raiar de sol.

Raiar que me clareia e incendeia meus sentimentos, lume de emoções atiçando essa ânsia quase que inconsciente, inconsequente, espontânea. Sinto-te com o sentir mais profundo, sem ter explicações nem porquês. Apenas sinto-te perto mesmo estando longe, como a senda clara da lua riscando o mar feito giz luminoso, como se fosse um beijo ardente no momento em que o horizonte toca o oceano.

Quero-te como o pulsar de minhas veias que me mantêm viva, como o ar que me rodeia e traz perfumes que me fazem te imaginar. Encontro razões lúcidas ao mesmo tempo em que mergulho em sonhos mágicos, entrelaço meus dedos nas mãos do tempo e puxo com afinco desejando ser atendida: vem! Traga-me a alegria de teu olhar e sorriso, deixe que eu me perca no teu paraíso, faça de mim teu oásis se houver deserto perto, faça-me teu leito e descanse na paz que quero te dar.

Assim como o infinito existe e não se vê, e nele cabe tanto quanto o universo puder fluir, assim é a dimensão de minha esperança baseada nessa entrega. Dela não posso fugir estando rodeada por esse espaço onde tudo me lembra você.

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Enluarada

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“És vertente de palavras formando um lago de emoções, tomando minha existência com tudo o que eu sempre quis sentir.”

Navegue-me.

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O ar me falta, a sanidade não volta. Entorpecida de desejo estou, preciso de teu amor expresso em toques, voz e presença. A ilusão de teu olhar me envolve e te degusto em devaneios e alucinações.

Teu sabor é marcante, teu perfume inebriante, teu toque me eriça, teu calor me atiça.

Desliza por meu corpo como se viaja pelo mar, navega-me nau de meu querer, e se entregue ao que sinto de mais intenso. Entre braços e pernas sirvo-te, sorvo-te e entre o que me perco, procuro-te.

De olhos fechados os sentidos do mais e mais, sinta! São meus lábios a caça dos teus percorrendo-te todo em atalhos e delongas, em detalhes e curvas. Passeio suavemente como ave a flutuar e então me atiro em frenesi como faminta a te devorar. Dissolvo teus instintos em meu nu, em meu despejar de delírios. Morda-me como quem possui, possua como quem não tem pressa, quando o tempo cessa, hei de querer-te mais.

Seja por mim e eu por ti, se minha língua não disser é porque está perdida em teu céu e as palavras são mais ofegadas do que ditas. Cada curva, cada poro, cada centímetro meu, quero no corpo teu e cada segundo quero ver-te ir e vir, como numa melodia, dançando dentro de mim, me segurando junto a ti nessa mescla de sensações inexplicavelmente extasiantes .

Beba em minha boca, sou tua fonte, busque-se em meus olhos, espelhe-se em quem te ama, desmanche-se no depois. Pois sou colo que sacia enquanto tu és paixão que vicia. Olha – percorra-me com o olhar também, ilumina-me antes de se fazer meia luz, perceba o que te seduz, seja meu leito, em ti me deito. És minha noite onde clareio o meu luar, sou lume aceso, minha chama arde quando teu corpo me invade e sinto teu peso na confirmação de que pulsas enquanto em mim.

Sim, sussurre seus gemidos, leia meus sentidos, tuas mãos podem rondar-me onde sei que queres ir. Então vá, ao menos por essa noite seja o que me faz ter a certeza desse amar, navegue-me como em um mar, e se conseguires voltar – fique à deriva nessa atmosfera que nos envolve, pois perder-se assim é encontrar-se em mim. Só teus lábios agora, apenas teus lábios molhados nos meus…descansando os beijos, ancorando tua lembrança no cais do meu coração.

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Enluarada

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“Eu te amo mais a cada respiração, Verdadeira, louca e intensamente…” – Savage Garden – Truly Madly Deeply

Mar aberto.

À deriva  dentro de mim,  pergunto-me:  Quem sou eu?

O hoje, o agora, o amanhã e o depois. Talvez, quem sabe?

Não sou tão definível assim, minha essência é uma alquimia constante, meu interior é mutante. Tenho dentro de mim um oceano, um atlântico mar com suas inúmeras possibilidades.

Me jogo como ondas na areia, me atirando em sentimentos e emoções, recuando na dor, me desmanchando junto com a espuma das ilusões.

Reflito o clarear do Sol e o pratear da Lua, o fervor do calor e a frieza das noites confeccionadas em desejos insaciados, talvez até insaciáveis.   Sou imensa quando amo, e ínfima ao recolher-me da agonia nos momentos de solidão, quando desejo ser amada. Em tormenta me agito ante aos ventos do que não se dissolve e naufrago os pensamentos que me rondam mesmo sabendo que eles retornam à tona nos momentos de calmaria.

No vai e vem dos acontecimentos alheios a minha vontade, no insistir do que não está em minhas mãos, tento sobrepujar a mágoa extravasando em água e sal que escapam dos meus olhos. Meu ser em mar é tão grande e tão intenso que nem consigo mais me alcançar. Nem com todo esse desaguar de ansiedades. É como se eu tentasse domar a tempestade assoprando suas nuvens carregadas para longe. Qualquer coisa entre o conter das águas claras e reflexivas de quem sabe o que é realidade, e luta para não sofrer com isso, e o agitar de tsunamis carregados de amor e paixão, abarrotados de esperanças calculadas no trepidar causado por sons longínquos de um trovoar. O bater de um coração, flutuando sobre a superfície de um mar aberto, um eu navegável, apesar de tudo.

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Enluarada

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Os olhos escondem o temor de uma ilusão, o coração explode louco de paixão. Mas é assim é um mistério, amar aberto o coração sincero, como dois loucos ao mar…- (Mar aberto, interpretado pelo inesquecível Jessé.)

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Meu coração acalma o mar que guarda tamanhos segredos,  de versos naufragados e sem tempo… –  (Também na voz de Jessé.)

Beijo, fusão de desejos.

Seria muito pedir-lhe um beijo? Apenas queria um beijo, a chance de começar. Pois podendo teus lábios tocar, teria como lhe mostrar o quanto podes ter a mais, o quanto podes gostar. Afeto é apenas o início, palavras são pétalas espalhadas pelo vento, perfumando meu corpo que arde em esperança. Um corpo ousado, curvilíneo, desenhado para receber o toque de tuas mãos, sim as tuas, as duas. Conceda-me um beijo, para atiçar-lhe o desejo, esse que sei que já tens, pronto a extravasar.

Feche os olhos então e sinta o beijo, que voa qual ave, lábios vermelhos meus, que sussurram palavras de amor e doçura, enquanto lhe acariciam percorrendo por teu corpo, devagar.

Faria pedir-me mais, a começar por meus beijos. Deixar-te-ia insano, possuído de desejo. Apenas diga, sim, eu quero, eu espero, e estarei disposta a percorrer o infinito para lhe encontrar. Encontrar-lhe nessa imensidão do toque, da pele, de meu rosto a encontrar o teu, de meu gosto em ti, Lua nua a seu paladar.

Quero-te perdido em loucuras, e ao mesmo tempo lúcido, a meus lábios degustar, após minha língua tecer um passeio por teu peito, seguindo seu destino ao encontro da tua, viajando por teu céu, deslizando por teu gosto. Lembras de meu rosto? Do olhar com que a ti suplico, do sorriso que a ti dedico, dos contornos de minha face, que pelo pescoço descem, revelando meu colo e meus seios que aguardam por teus carinhos e pelo calor de tua boca?

Só um beijo e eu te levo a delirar, até que insistas em encontrar em mim o que lhe incite mais prazer, até que anseies me levar a loucura também, enquanto se delicia com a profunda carícia que desejarás em mim fazer. Ouvirás o canto dos gemidos meus, a teu nome declamar em pedidos melódicos que não pare de me amar. Carícias sentirá, quando eu não puder mais me comedir, e quando meu íntimo desejar o que é teu, terás meus lábios em ti, explorando , tocando, beijando, o calor de minha língua por ti deslizando, meus dentes, de leve a morder…

E regressarei ardente, ao mar profundo de teu olhar que suplicará em silêncio por mais beijos. Os terá, junto com meu cheiro, que marcante em ti ficará. Desejarás se perder e se enroscar em meus cabelos, manto de seda pura, e eu com ternura buscarei cada detalhe teu da forma que me incentivares, tanto quanto pedires, e em paixão me possuirás.

E quando tudo for o exílio de pensamentos, me jogarei em teu corpo, nos fundiremos ofegantes, abraçados, colados e inseparáveis, tu dentro de mim, eu presa a ti, nessa ânsia de o êxtase alcançar, no momento sublime do amar, sim, nessa fusão do desejo, que começará com o beijo, que um dia me concederás.

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Enluarada

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Devaneios e delírios ao som romântico de Def Leppard – Love Bites. Porque eu lhe beijaria, eu lhe morderia. De amor me perderia. Sempre.