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Minhas primaveras.

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Eu literalmente nasci na primavera.

Talvez por isso, eu tenha sonho de flor.

Mais uma primavera está se passando e depois de 38 delas, depois de florir e ter de me despetalar,

passar pelo frio, pelo árido, fincar raiz, dar sementes e frutos,

creio que chegou a hora de me dar ao luxo de definir meus desejos, buscar meus sonhos,

respirar aliviada a alegria da vida, sem me cobrar, e sem ser cobrada.

Esse ano não vou festejar essa primavera.

Vou ficar reclusa em meus pensamentos.

O único presente que quero, eu peço ao universo, a Deus, ao criador, ou a quem quer que olhe por mim lá de cima.

Quero ser livre, quero que até as redomas subliminares sejam tiradas de mim.

Quero respirar sem sentir essa ansiedade no peito, sem sentir culpa.

Aliás o fim da sensação de culpa, eu quero no topo da lista.

A pior coisa que existe é essa auto condenação que a gente desenvolve,

porque os outros querem nos definir, porque nos tiram o direito de escolha,

sem haver um julgamento duro.

Quero aquela liberdade – não, eu quero o que a Clarice queria:

“Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome.” (Clarice Lispector)

Quero a inocência sincera de uma criança, a disposição de um adolescente e a sabedoria de um monge idoso.

Eu preciso.

Quero recomeçar, como se minha história ainda estivesse em branco.

É assim que eu quero me sentir, um livro ainda a ser escrito.

Quero conseguir cada vez mais me importar menos com os dedos alheios que me acusam.

Quero conseguir ser eu por mim mesma, ser completa, alma, razão, coração.

Quero também, doses transbordantes de paciência e de tolerância,

Quero temperança e tranquilidade para aceitar o que tiver de ser,

quando minhas decisões gerarem as devidas consequências,

quando o meu plantio brotar,  vou regar e cuidar,

e se por acaso, quando chegar a nova primavera, eu não tiver flores,

quero ter uma dose extra de coragem, para arar novamente o solo e plantar outra vez.

Acima de tudo, eu quero de presente, a possibilidade de sentir da forma mais plena possível, o amor em meu coração.

Eu creio que, ainda não sei o que é amar, não verdadeiramente, mas creio também que não seja de todo impossível para mim.

De qualquer forma, quero uma explosão de emoções que me impulsionem para uma evolução nessa nova fase de minha vida.

Agora…

EU QUERO A VERDADE

EU QUERO A CERTEZA

EU QUERO A CONCRETIZAÇÃO.

QUERO IR À LUTA,

SEM ESTAR À SOMBRA DE NINGUÉM,

E NÃO VOU ACEITAR MENOS DO QUE A VERDADE.

NÃO VOU ACEITAR MENOS DO QUE EU REALMENTE ACREDITO QUE EU VALHA.

e hoje…

peço aos céus que me cubram de paz, que acalentem meus dias e que guiem meus passos.

Porque eu sou como uma flor de primavera – frágil ao se abrir, doce ao se colher,

inquebrável nas tempestades e infinita ao se geminar.

Mas se tentarem me ferir, eu tenho espinhos também.

*

Enluarada

*

Que eu seja…amar.

E é no meu silêncio que escrevo com as letras do meu barulho, porque sou pobre de orgulho.

Porque me sinto tão Lua, tão distante, errante, de longe brincando com o mar e jogando a água com força na areia.

Daqui vejo muita coisa. Fico a pensar, o que será? Que assim seja…

E se o mar é amar, que seja em mim o mais intenso, vasto, aberto e imenso – oceano dos olhos meus que um dia desaguarão nos teus.

E se o céu é amar, que seja em mim o mais infinito, estrelado, explorado e mais bonito – asas de um coração que busca a tua direção.

E se viver é amar, que seja a vida mais plena, que a dor seja feita pequena, o que se viveu seja válido, que a luta faça sentido.

E se amar é luz, quero ser a mais forte, brilhar de sul a norte, quero te clarear, com meu calor te abraçar, teu desejo despertar.

E se amar é voar, que eu seja alada em liberdade – nessa força que me invade, que me faz flutuar – seja em pensamento, seja em poesia.

E se amar é escrever, teu corpo: meu papiro, minhas mãos: tinta e pena, minha alma rimando serena na vastidão do meu querer.

E se amar é tudo, que eu seja ainda mais, o universo, o mundo, o transcender, o além de mim, meu eu em você – o começo e o fim.

E se amar é AMAR, que eu seja Lua permanente, chorando o mar no céu espelho, no viver, no sonhar, na tua luz em vôo livre, no teu encanto, porque nunca, simplesmente – NUNCA – amei tanto.

*

Enluarada

*


Encontrei a música perfeita…

“I love you just the way you are,

So come with me and share the view,

I’ll help you see forever too

Hold me now,

touch me now,

I don’t want to live without you…”

(George Benson –  Nothing’s Gonna Change My Love For You)

Ecoa a dor do amor.

Apavora-me o que sinto agora. Porque tudo que é novo amedronta. Mas posto que esse sentir com inocência foi incitado, sem planos, sem consciência, agora no peito está arraigado e  sem dó absorveu meu existir.

Tudo em que pensei crer foi de mim tomado, meu coração antes enclausurado, encontrou razão de ser.

O erro foi crer que o amor não mais infringiria dor. Ou crer que a razão, controlaria o coração.O erro foi crer que eu saberia, que apenas esperar bastaria, aprender a duras penas que tentar entender não basta, nada alcança a raiz da dor, quando há ausência e distância.

Ecoa qual fala poderosa a dor em meu peito, apertando, grita de dentro avisando.Presa estou, preciso me libertar, mas não me avisaram que arrancar um sentimento assim era impossível.

Dói e mesmo assim é tão bom, não posso mais ser sem esse sentir.

Errei em pensar que mando no coração, que posso controlar seu pulsar. E agora suas batidas recordam-me, que ele não está aqui, que não posso decidir nem fugir. Que o que tenho aqui comigo não é suficiente, que não pode ser diferente, que não mais…E a dor, em desespero me deixa, quando me lembra da queixa de que posso perder.

Minhas lágrimas acabaram, meus soluços se converteram em tentativas de me conter. Porque sou assim, tão entregue ao sentir? Porque essa essência de a tudo me dedicar tão profundamente é perene em mim? Porque mesmo com essa dor não consigo ignorar esse amor? Porque quero correr tantos riscos, e mesmo sabendo que meu desejo é ter, ver, sentir, tocar, prefiro me ferir a magoa-lo? Por que se quero esse amor tão livre, seu silêncio me dopa, me incomoda? Por que se sei dos motivos e circunstâncias, fico nessa ânsia de que o mundo pare e num estalo, tudo seja apenas esse amor?

Perguntas, infinitas são, preciso conversar com meu coração. Preciso me compreender além da compreensão.

Mesmo porque esse amor, esse sentir, essa paixão, tudo tão novo apresentado a mim, de forma tão intangível, até mesmo indecifrável, faz surgir em mim o pranto, mas a felicidade também. Nunca fui tão feliz, nem tive tanta esperança. Esse querer libertou-me de muitas formas, e meu profundo desejo é que o alvo de meu querer seja feliz e pleno. De que importam meus anseios, afinal?

Controverso, desejar a liberdade e sentir dor frente à possibilidade de não ter nunca mais. Loucura a agonia por algo tão belo. E o que de mais belo me foi legado, nesse sentimento de dor ecoado foi descobrir que apesar de tudo a vida só tem sentido se vivemos um intenso amor. Mesmo se difícil for. Mesmo que manifesto apenas por palavras e pensamentos. Mesmo que não haja encontro de corpos. É o sentimento de essência. Do que realmente importa, do real valor – Indelével.

Dane-se essa dor. Fico com o amor.

*

Enluarada

*

“Não posso acreditar que fui tocada por um anjo
Com amor
Deixe a chuva cair
E lavar minhas lágrimas
Deixe-a encher minha alma
E afogar meus medos”

Celine Dion – A New Day has Come

Delícia

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Hoje me senti deliciosamente inspirada. Cheguei em casa e resolvi escrever. Mas parei por um momento e pensei: qual o significado definido por um dicionário para a palavra delícia? Encontrei um dicionário, abri na palavra Delícia e procurei os sinônimos: Prazer intenso. Sensação agradável ou deleitosa. Encanto, gozo, deleite.

Mas claro, como de praxe, não fiquei satisfeita. Minha delícia é bem melhor. Minha delícia é muito mais. Então eis a minha definição:

Delícia é correr de encontro ao vento

Descalça na areia irradiando sentimento

Delícia é ter no coração mais que por um momento

O fulgor da existência de um grande contentamento

***

Delícia é erguer a face na chuva a cair

Deixar a água fria na pele deslizar

Delícia é sentir o corpo arrepiar

É sentir leveza ao pensar no que há de vir

***

Delícia é com mel lambuzar

Essa boca que um dia vais beijar

Delícia é o doce do sonhar

O sonho de colorir o amar

***

Delícia é com as mãos um arco-íris pintar

Com o pensamento ao céu subir e viajar

De lá de cima ver o mar e mergulhar

O frio no estômago sentir e gritar

***

Delícia é a cor dos seus olhos meigos

O toque suave de seus afagos

Até a saudade é delícia nos âmagos

De uma paixão explodindo em luz quais fogos

***

Delícia é essa lembrança que criei

Onde já me perdi e me encontrei

Espaço cheio de estrelas onde me enxerguei

É descansar nos braços de quem amei

***

Delícia são delírios em meio a sussurros

Encontrar luz na vida em momentos escuros

Delícia é poder falar de amor, de sentimentos puros

É quebrar barreiras, derrubar os muros

***

Delícia é sentir-se encontrada por um coração poeta

Que de longa distância transpõe a tormenta

É poder acreditar que tenho a resposta

E que o amor é a verdade que importa

***

Delícia é sentir o perfume das flores

Como se fosse a primeira vez que sentisses

A descoberta de grandes e pequenas coisas

De sensações, sentidos e prazeres

***

Delícia é poder ver de olhos fechados

Saber que se nessa vida nos perdemos

De alguma forma acabamos encontrados

E ninguém nos tira o direito de sermos amados

***

Delícia é conversa boa, falar a verdade

Delícia é a imensidão da liberdade

Sentir que existe a plenitude

Mesmo quando surgem coisas que não se entende

***

Delícia é o cantar de pássaros, musica do coração

O dom de ouvir e de compor uma canção

A melodia do vento ao soprar a plantação

Delícia é o perfume da rosa em botão

***

Delícia é correr pular e rodopiar

O cheiro da dama da noite no ar

Delícia é a lembrança do tempo a passar

Das coisas boas que o amor faz lembrar

***

Delícia tem cheiro, tem forma e tem cor

É mais que deleite e prazer encantador

Delícia é a junção de tudo que intenso for

E não há maior delícia  que viver um grande e verdadeiro amor.

*

Enluarada

*

Ao som inspirador  de Paula Fernandes  – Meu eu em vocêPássaro de Fogo; Canções do vento Sul.

Metamorfose

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Em tempo, não tão tarde assim na vida descobri que é possível sair da inércia emocional, e porque não dizer atraso emocional. Muitas vezes o que precisamos é sair do casulo. Sempre tive certeza de muitas coisas na vida e existem coisas imutáveis para mim. Porém, algo que parecia impossível a mim mudou, contrastou significativamente. Acreditei a vida toda que jamais poderia saciar dentro de mim o desejo de valorização. E mais, ouvi isso sequencialmente de algumas pessoas que para mim tinham certo grau de importância em minha vida. Começando por meu progenitor que fazia questão de me reafirmar que estava fadada ao fracasso. Fracasso emocional, fracasso físico, fracasso profissional. Cedo na vida me uni a única pessoa que acreditei gostar de mim de alguma forma verdadeira. A essa pessoa entreguei meus melhores anos, minha abnegação e anulação. Trapaceei minha consciência na tentativa desesperada de fazê-lo feliz e de ser feliz. Todo meu altruísmo e esforço de nada valeram ao perceber que estava tentando alcançar o vento. Um esforço unilateral. Até hoje está além de minha capacidade compreender como alguém que afirma lhe amar não consegue provar e demonstrar isso da mais simples forma. E a frustração veio certeira, num momento em que eu já não encontrava mais forças para sentir prazer em qualquer atividade da vida. Desisti de lutar, de usar minha criatividade, de conversar, propor, desenhar os fatos. A vida se tornou um marasmo e emaranhado de dissabores. E ao passo que tento me libertar de um relacionamento que me aprisiona, busquei na escrita e na leitura uma fuga provisória desse pesadelo. Envolvi-me em um casulo.

Quando me sentia uma simples larva, enclausurada em minhas emoções e negativismo, certa de que seria impossível alguém ver algo de bom em mim – e ao mesmo tempo lutando para dar o melhor de mim para as pessoas que de mim necessitam – algo súbito e inesperado mudou radicalmente minha forma de enxergar a vida. Foi como um anjo enviado para me presentear, aquecendo o casulo com seu hálito em forma de palavras e gestos singelos, me fazendo enxergar que não preciso ser simplesmente essa larva inerte e presa, mas que posso me transformar e me libertar. Alguém que me encontrou da forma mais improvável, e me refez, conquistou e valorizou da maneira mais sublime o pouco que pode conhecer de mim. Não estou exagerando em dizer que foi um divisor de águas. Decisões importantes já estavam tomadas dentro de mim, mas eu não tinha forças, não tinha coragem nem ânimo para executá-las. A experiência mais extasiante que pude experimentar foi sair desse casulo, dessa clausura emocional e ver que além de me sentir bela, de saber que tenho valor para alguém, me senti livre. Vi-me capaz, me senti real. Irônico, mas verdadeiro. É impressionante como pequenos gestos, se tornam grandes e é inacreditável como podem mudar radicalmente a vida de uma pessoa sensível como eu. Qual borboleta recém formada, ainda não posso voar. Mas enquanto as asas ainda não secam e se estendem, sigo tranqüila, mais feliz, com a certeza de saber que tenho valor sim, e ninguém nunca mais me fará acreditar no contrário. Em breve estarei pronta para alçar vôo, e se me for permitido darei tudo de mim para retribuir a quem me fez tão bem. Olhando em seus olhos poderei dizer tudo que emana de meu grato coração. Se não for possível, se os caminhos não se cruzarem, ficarei na certeza de que de qualquer forma foi válido, porque muito de mim mudou para melhor, e ao voar livre lembrarei sempre e pedirei sempre para que a felicidade seja a senda dessa pessoa maravilhosa. Mas ainda me resta a esperança de um dia nos encontrarmos.  Porque não existe liberdade sem amor. Nem amor sem liberdade. Nem metamorfoses totalmente livres de dor e de espera. Mas todas elas valem a pena!

Ao som de Butterfly – Mariah Carey , porque de certa forma todos somos como borboletas.