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Lembranças ao vento.

Folhas balançam ao vento e quando me dou conta você está aqui vivo em meu pensamento. Fico observando as árvores, o vento sussurrando entre as folhas que chacoalham como se estivessem rindo com cócegas, ou coisa assim.

Eu me pego perdida em pensamentos, em como tua presença radiante iluminaria minha vida, em como seria provar o gosto de teus lábios – esses que tanto desejo encostados nos meus – como seria refletir-me no espelho de teus olhos, prender-me nesse mel do teu doce e profundo olhar.

Respiraria o ar ao teu redor, sentindo teu cheiro penetrar em minha alma, provaria do néctar dos teus carinhos, me entregaria a plena calma, mesmo ofegando intensa ao desejar o teu amor. Mas estou aqui, apenas sonhando com tudo isso que se passa como um filme em minha mente, enquanto as folhas dessas árvores dançam, enquanto algumas aves nelas brincam.

O vento parou. As folhas fizeram silêncio. Parece até que resolveram prestar atenção em mim, no momento em que uma lágrima fugiu…Como se me olhassem e quisessem saber o porque.

Dessa lágrima, eu também não pude definir a razão, porque não me sinto triste. Simplesmente sinto falta das palavras de quem me faz imensamente feliz como ninguém jamais fez. Não há tristeza, porque esse amor existe em mim com uma intensidade majestosa, porém não se basta se existir apenas aqui dentro. Talvez, seja por isso a lágrima. Porque ainda me sinto metade.

Às vezes a solidão me invade como esse vento que invade as folhas das árvores, por isso em vez de sorrir, choro. Porque ainda me falta a mais bela e complementadora certeza, a mais reconfortante verdade – esse amor que me prende fiel aos meus sentimentos, que dentro de mim já é.

Ei! As folhas voltaram a gargalhar. Vou continuar aqui nessa tarde suavemente ensolarada, assistindo o espetáculo da paisagem e lembrando de você. Quem sabe esse vento que brinca com as folhas me ouça e resolva fazer viagem, levando minha lembrança ao teu pensamento, meus beijos ao teu encontro, meu acalentar ao teu coração, deixando um pouquinho de mim em ti. Apenas  para recordar-te de que se  ainda  me restam sorrisos,  é por causa tua.

*

Enluarada

*

Finalmente veio um pássaro voando,

Pela primeira vez fora do ninho

Você é a canção das suas asas

Você é a melodia que ele canta

Eu literalmente apreciava a paisagem, ao som de Nikka Costa – Midnight – que tocava em meu mp3…Então, decidi deixar aqui essa melodia.

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Rosa vermelha

Hoje me trouxeste uma rosa vermelha. Qualquer mulher que recebesse tal bela flor, lisonjeada ficaria. Ah, o quanto desejei tal prova de afeto, no passado. E porque as coisas têm de ser assim? Quando eu queria tanto sentir o êxtase de uma prova de amor, ignoravas. Era raridade, era forçado, pedido e implorado. Nunca, quase nunca lembrado. O quanto uma mulher tem que rejeitar um homem para que ele perceba seu valor? Porque agora? Porque agora que minha alma chora quando vislumbra a flor da cor do sangue de meu coração? Porque agora só sinto os espinhos? Isso é castigo?

Quando tinha meus sonhos de menina, me ferias com a indiferença. Agora me feres com espinhos de uma flor que meu coração insiste em rejeitar. Até quando precisarei chorar? Quantas lágrimas regarão flores que para mim estão sem vida? Sinto como se a vida estivesse debochando de mim. Alguém tão sonhadora e romântica, destinada a trilhar por muito tempo um caminho sem cores, os dons e trabalhos de minhas mãos voltados em prol de regar um amor que sofrido não resistiu. Como quis que outrora lembrasses de mim durante o dia, e me mostrasse isso com um gesto singelo quando chegasse junto de mim. E hoje que no solo de meu coração não resta nem as cinzas desse amor, você vem com flores. O que seria isso senão ironia? Será que sou indigna de provar a sensação de receber provas de amor? Quando as quero, não as tenho. E quando as tenho não as quero mais. Muito além de não querer, eu lamento.

Ao receber sua flor não são lágrimas de emoção, nem de amor que fluem de meus olhos. São de indignação. De resignação. Porque não posso impedir-te de me trazer flores. Mas não são elas que agora vão fazer ressurgir meus fortes e puros sentimentos frustrados, mortos e enterrados. Como as flores que não me destes, murcharam, despetalaram-se, secaram. E nesse coração que batia quase morto, e agora reclama ao ver que é tarde demais, existe uma semente recém plantada, germinada, por outro coração que me presenteia com flores virtuais. Tivera seu tempo, sua chance, tivera meu amor, meu romance. Fui fiel, esperei, pedi, avisei. Por muito tempo, longos anos. E meu coração que pensei estar fadado ao eterno desgosto agora sonha com novas possibilidades. Infelizmente hoje, suas flores cortadas simplesmente não podem mais alegrar esse lugar. Nem evitar o Adeus. Sinto muito.

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Enluarada

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