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Diário de uma flor.

Setembro

Tão pequena me sinto, e sufocada. Há terra em mim e o peso é grande. Um aperto no peito e sinto como se eu fosse explodir. Porém o meu desejo era que a terra se abrisse. Está frio, escuro e quase vazio. Vou fechar meus olhos…

Outubro

Ei, o que está havendo? Apesar do que sofri, sinto meus braços mais livres embora o peso ainda exista. Sinto um leve calor que vem não sei de onde, não sei a origem. Vou colocar minha raiz aqui. Sinto sede, a de amor. Ei, você que me deu água, agradecida. Quem é você que me aqueceu? Valeu! Estranho, mas agora posso respirar, é como se a minha redoma tivesse sido removida. Até que enfim senti a vida! Fantástico poder me mostrar. Vou subir à superfície e olhar!

Novembro

Uau, quanta luz! Quem é você assim tão brilhante e quente? Me fez crescer interiormente e agora minhas palavras desabrocham nessa troca de luz e calor. Faz assim, te dou o meu amor! Eu fico aqui, estou plantada, tenho raiz, mas sou livre enfim! Adoro essa tua luz em mim!

Dezembro

Impressionante como estão me admirando, como dizem que sou linda e ainda sou um botão. Deve ser meu coração, ele está tão preenchido que me dá viçosidade. É uma sensação tão única, penso até não ser verdade. Mesmo ainda tão fechada posso ouvir o som da distância. Logo quero me abrir, mas devo ter paciência…

Janeiro

Nublou! Cadê a luz? A água perece que secou. Só um pouco mais de amor…Ei nuvem, sai da frente, eu quero olhar! Não, não precisa estiar, afinal de rega eu vou precisar. Mas eu queria olhar.

Fevereiro

Parei pra respirar fundo, sentes? Há um perfume saindo de mim. Estão me chamando de jasmim e sorrindo vejo a luz e ainda sinto o calor. Viu o meu desabrochar? Conseqüência desse amar. É lindo poder alegrar, os corações tocar e percebi aqui dentro um sentimento forte se espalhar. Sinta meu cheiro, olha a minha cor! Enfim sou tua flor! Colha-me, por favor?

Março

Hum, pétalas. Uma caiu de mim. Ainda estou aqui, não compreendo. Juro que queria ir. Mas tudo bem, ainda assim apenas sentir a luz é bom. Oh, outra pétala caiu…isso dói aqui dentro, essa solidão. Eu só queria ouvir uma canção. Canta para mim?

Abril

Olho no chão ao meu redor e me vejo inteira ali. Não – não me vejo inteira, vejo os meus pedaços. Minhas pétalas…me sinto estranha, mas alguém me disse que havia de ser assim. Depois da deprimência antes do renascer, senti o calor a vida e a beleza, descobri minha natureza e escrevi a minha história. Agora vejo minhas pétalas desvanecendo, enfeitando o chão, e eu nem fui colhida, nem fui beijada. Apenas sei que talvez fui amada. Mas o mais estranho é que mesmo assim nunca me senti tão plena. Acho que é porque finalmente entendi. É que por mais solidão que haja – depois que se vê a luz do Sol a gente se acostuma a ser feliz. Porém, aos poucos se vai descobrindo nossa missão na vida, nossos dons e acaba-se entendendo afinal, que para produzir bons frutos e sementes na continuidade da existência, às vezes é necessário morrer por dentro um pouquinho…

*

Enluarada

*

Se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores por onde eu vim…dentro do meu coração – Se eu não te amasse tanto assim – Ivete Sangalo.

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Poema para o Sol.

Tanta coisa se passa em meu interior, tanta tempestade, tantos sentimentos conturbados, mas no fim, quando paro e penso, quando meus olhos estiam, quando olho  dentro do meu coração, apenas escuto a minha canção…ela ainda não está pronta, ela ainda é apenas poesia. Mas talvez ela nunca fique totalmente pronta, porque essa poesia que habita em mim flui infinita. São letras doces acompanhadas de melodia calma. E é tanta coisa que sinto ao tentar lembrar, tanta coisa… Queria ser um passarinho e poder voar, e talvez em um ninho me aconchegar nos momentos de frio, queria ser uma flor, queria ser a alegria e despertar sorrisos, queria ser  motivação e  força, queria ver que o brilho nos olhos da felicidade. Queria ser a primeira imagem no amanhecer, ou então poder ver os olhos de quem amo se fecharem em sono tranqüilo, por causa da calma no coração.  Aqui dentro de mim eu queria ser tanta coisa, mas posso apenas ser palavras. Ainda bem, porque  as palavras podem  me transformar em qualquer coisa. E assim, escrevendo, me transformo em beijos, me converto em frases  e nem o infinito pode vencer o poder dos versos em mim. Minhas rimas são minhas mãos segurando 0 horizonte, e conseguem até sentir o calor do toque. Sou lua e meu poema é para o

Sol…

Tua fonte de luz habita

Os desejos do meu coração

Em beijos raiados

E carinhos escritos

És o astro que aquece

És a ausência que me preenche

És a saudade que me conforta

Tenho flores nas mãos

E néctar nos lábios

E o medo fugiu de mim

Sinta, apenas estou aqui

E ante a tudo que vi e vivi

Descobrindo inspirações

A poesia em mim continua

Sempre minha, sempre tua

e continua…

*

Enluarada

*

“Espero que você não se importe que eu exprima em palavras, quão maravilhosa é a vida enquanto você está em meu mundo…” (Your song – Elton John)

Rosa vermelha

Hoje me trouxeste uma rosa vermelha. Qualquer mulher que recebesse tal bela flor, lisonjeada ficaria. Ah, o quanto desejei tal prova de afeto, no passado. E porque as coisas têm de ser assim? Quando eu queria tanto sentir o êxtase de uma prova de amor, ignoravas. Era raridade, era forçado, pedido e implorado. Nunca, quase nunca lembrado. O quanto uma mulher tem que rejeitar um homem para que ele perceba seu valor? Porque agora? Porque agora que minha alma chora quando vislumbra a flor da cor do sangue de meu coração? Porque agora só sinto os espinhos? Isso é castigo?

Quando tinha meus sonhos de menina, me ferias com a indiferença. Agora me feres com espinhos de uma flor que meu coração insiste em rejeitar. Até quando precisarei chorar? Quantas lágrimas regarão flores que para mim estão sem vida? Sinto como se a vida estivesse debochando de mim. Alguém tão sonhadora e romântica, destinada a trilhar por muito tempo um caminho sem cores, os dons e trabalhos de minhas mãos voltados em prol de regar um amor que sofrido não resistiu. Como quis que outrora lembrasses de mim durante o dia, e me mostrasse isso com um gesto singelo quando chegasse junto de mim. E hoje que no solo de meu coração não resta nem as cinzas desse amor, você vem com flores. O que seria isso senão ironia? Será que sou indigna de provar a sensação de receber provas de amor? Quando as quero, não as tenho. E quando as tenho não as quero mais. Muito além de não querer, eu lamento.

Ao receber sua flor não são lágrimas de emoção, nem de amor que fluem de meus olhos. São de indignação. De resignação. Porque não posso impedir-te de me trazer flores. Mas não são elas que agora vão fazer ressurgir meus fortes e puros sentimentos frustrados, mortos e enterrados. Como as flores que não me destes, murcharam, despetalaram-se, secaram. E nesse coração que batia quase morto, e agora reclama ao ver que é tarde demais, existe uma semente recém plantada, germinada, por outro coração que me presenteia com flores virtuais. Tivera seu tempo, sua chance, tivera meu amor, meu romance. Fui fiel, esperei, pedi, avisei. Por muito tempo, longos anos. E meu coração que pensei estar fadado ao eterno desgosto agora sonha com novas possibilidades. Infelizmente hoje, suas flores cortadas simplesmente não podem mais alegrar esse lugar. Nem evitar o Adeus. Sinto muito.

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Enluarada

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