Arquivo de Tag | felicidade

Minhas primaveras.

10533096_854663087879535_4700557002219382853_n

Eu literalmente nasci na primavera.

Talvez por isso, eu tenha sonho de flor.

Mais uma primavera está se passando e depois de 38 delas, depois de florir e ter de me despetalar,

passar pelo frio, pelo árido, fincar raiz, dar sementes e frutos,

creio que chegou a hora de me dar ao luxo de definir meus desejos, buscar meus sonhos,

respirar aliviada a alegria da vida, sem me cobrar, e sem ser cobrada.

Esse ano não vou festejar essa primavera.

Vou ficar reclusa em meus pensamentos.

O único presente que quero, eu peço ao universo, a Deus, ao criador, ou a quem quer que olhe por mim lá de cima.

Quero ser livre, quero que até as redomas subliminares sejam tiradas de mim.

Quero respirar sem sentir essa ansiedade no peito, sem sentir culpa.

Aliás o fim da sensação de culpa, eu quero no topo da lista.

A pior coisa que existe é essa auto condenação que a gente desenvolve,

porque os outros querem nos definir, porque nos tiram o direito de escolha,

sem haver um julgamento duro.

Quero aquela liberdade – não, eu quero o que a Clarice queria:

“Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome.” (Clarice Lispector)

Quero a inocência sincera de uma criança, a disposição de um adolescente e a sabedoria de um monge idoso.

Eu preciso.

Quero recomeçar, como se minha história ainda estivesse em branco.

É assim que eu quero me sentir, um livro ainda a ser escrito.

Quero conseguir cada vez mais me importar menos com os dedos alheios que me acusam.

Quero conseguir ser eu por mim mesma, ser completa, alma, razão, coração.

Quero também, doses transbordantes de paciência e de tolerância,

Quero temperança e tranquilidade para aceitar o que tiver de ser,

quando minhas decisões gerarem as devidas consequências,

quando o meu plantio brotar,  vou regar e cuidar,

e se por acaso, quando chegar a nova primavera, eu não tiver flores,

quero ter uma dose extra de coragem, para arar novamente o solo e plantar outra vez.

Acima de tudo, eu quero de presente, a possibilidade de sentir da forma mais plena possível, o amor em meu coração.

Eu creio que, ainda não sei o que é amar, não verdadeiramente, mas creio também que não seja de todo impossível para mim.

De qualquer forma, quero uma explosão de emoções que me impulsionem para uma evolução nessa nova fase de minha vida.

Agora…

EU QUERO A VERDADE

EU QUERO A CERTEZA

EU QUERO A CONCRETIZAÇÃO.

QUERO IR À LUTA,

SEM ESTAR À SOMBRA DE NINGUÉM,

E NÃO VOU ACEITAR MENOS DO QUE A VERDADE.

NÃO VOU ACEITAR MENOS DO QUE EU REALMENTE ACREDITO QUE EU VALHA.

e hoje…

peço aos céus que me cubram de paz, que acalentem meus dias e que guiem meus passos.

Porque eu sou como uma flor de primavera – frágil ao se abrir, doce ao se colher,

inquebrável nas tempestades e infinita ao se geminar.

Mas se tentarem me ferir, eu tenho espinhos também.

*

Enluarada

*

Poeira das estrelas.

Índice

Quando olho para o céu, sinto como se eu tivesse vindo de lá. Tão longe, mas ao mesmo tempo sinto muito, muito perto.

“Casa”, é a palavra que me vem em mente.

Tem horas que sento ao relento, ouvindo uma música suave e antiga, que me faz recordar coisas que eu penso jamais ter vivenciado. Sinto um perfume irreconhecivelmente delicioso e relaxante, e o céu, ah o céu – um espetáculo à parte, me faz imaginar uma tela escura cheia de buraquinhos em frente a uma luminária quente.

Penso e sinto coisas estranhamente intensas, como se eu fosse apenas um grãozinho de mim, um pontinho minúsculo diante de tudo o que eu realmente poderia ser.

Talvez eu seja mesmo assim, como uma estrela, apenas um pontinho que nasceu para reluzir breve em um breu, para depois explodir raios de desejos companheiros de um luar.

Apenas um pontinho, longínquo, que escolhe palavras para descrever seus sonhos.

O vento sopra em meus ruivos cabelos, longos e ligeiramente anelados, onde meus dedos brincam de se esconder, enrolando uma mecha na lateral da nuca. Eu penso faceira, em me esconder num horizonte aqui ou acolá e pegar o futuro de surpresa, sem pressa ou pretensão, sem me deixar destinar, fazer apenas o que eu quero.

Realizar…

Nesse horizonte, a colcha escura e negra que cobre minha noite, viraria um amanhecer e as cores tomariam conta de minha história de retalhos.

Nesse horizonte, eu brincaria de encantar, faria daquela fonte cristalina meu espelho e me encontraria em casa, no meu universo paralelo, onde mãos não são impedidas de se entrelaçarem, rostos podem se roçar em carinho, e bocas então se encontram, sem mais, sem palavras nem proibições.

E lá, deito meus cabelos no gramado enquanto o amor feroz se faz, e ali a dor jaz, faz jardim fecundo primaverando meu mundo.

O sol planta pétalas em mim.

A brisa me espalha em sementes.

A terra me deita em seu leito.

A chuva me escorre em eternidades.

E tudo o que resta de meu desdesertificar, dessa essência, vira poeira das estrelas.

*

Enluarada

*

Matemática das almas.

praia_solO vento que sopra em minha direção desfaz segredos poéticos e trava deliciosas lutas interiores, em busca de conceder tranquilidade a meu ser recôndito.
Eu não sei o que sinto, se ainda sinto desde então…ou se sempre senti, desde quando meu mundo passou a orbitar um desejo jamais permitido.
É como se duas almas estivessem em um outro plano, um plano paralelo onde a matemática é exata, as somas corretas, sem restos, nem frestas.
É como se eu amanhecesse para sempre e esse amanhecer fosse a eternidade disfarçada de alegria, onde essas almas dançassem sem querer, dando voltas no infinito do amor.
O que sinto é uma ilusão do que não está aqui, mas deve existir em outro lugar, não é possível. É muito forte, é como um norte e uma bússola de tanto que é existente e coerente.
É um universo tangente a esse, e bem perto, onde há praia e mar, uma fogueira e uma conversa amiga. Há um riso e há liberdade floreada, chamuscando com as labaredas, a felicidade borboleteando nos sorrisos que se esvaem quando os olhares se cruzam, se atraem, se puxam e se querem.
Há o beijo roubado e devolvido e há o que nem faça sentido, pois lá onde o amor verdadeiro existe e onde a matemática das almas é exata, o sentir é permitido. Não há posse. Nem minha alma é minha, nem tua alma é tua. Apenas eu cuido e você cuida, sem pressa, sem promessas. A calma preenche o coração e a paz é a mais sublime canção.
Há um lugar, um lar, muito além daqui, acredito, onde tem um leito macio com colchas de seda e almofadas fofas, e se deitar é uma viagem. Sonhar é paisagem, e sempre de passagem, meu lugar nunca é aqui ou ali.  Meu lugar é em um coração que só existiu em meus devaneios e vontades.
Meu lugar é em pensamentos e em letras, onde a satisfação da alma se encontra por acreditar que de alguma forma tudo isso existiu ou existirá. Meu lar errante, meu mundo distante e a calma da alma.

Por Simone Santos – pensamentos de Enluarada.

 

Olhos da alma.

Enxergo-te com os olhos da alma. Há muito tempo que para mim tu és muito mais do que os lábios que desejo e o corpo que anseio junto ao meu. Perfeita essência de amizade, o dom da verdade que imortaliza o amor em meu coração.

É canção da brisa suave que traz longínquos segredos que me revelam o puro querer, é meu doce carinho que aguarda poder voar e pousar no teu ninho. São estrelas que brincam de brilhar como se fossem migalhas de luz conduzindo-me no caminho ao teu encontro, é o chão de céu que me faz enluarada quando penso no teu raiar de sol.

Raiar que me clareia e incendeia meus sentimentos, lume de emoções atiçando essa ânsia quase que inconsciente, inconsequente, espontânea. Sinto-te com o sentir mais profundo, sem ter explicações nem porquês. Apenas sinto-te perto mesmo estando longe, como a senda clara da lua riscando o mar feito giz luminoso, como se fosse um beijo ardente no momento em que o horizonte toca o oceano.

Quero-te como o pulsar de minhas veias que me mantêm viva, como o ar que me rodeia e traz perfumes que me fazem te imaginar. Encontro razões lúcidas ao mesmo tempo em que mergulho em sonhos mágicos, entrelaço meus dedos nas mãos do tempo e puxo com afinco desejando ser atendida: vem! Traga-me a alegria de teu olhar e sorriso, deixe que eu me perca no teu paraíso, faça de mim teu oásis se houver deserto perto, faça-me teu leito e descanse na paz que quero te dar.

Assim como o infinito existe e não se vê, e nele cabe tanto quanto o universo puder fluir, assim é a dimensão de minha esperança baseada nessa entrega. Dela não posso fugir estando rodeada por esse espaço onde tudo me lembra você.

*

Enluarada

*

“És vertente de palavras formando um lago de emoções, tomando minha existência com tudo o que eu sempre quis sentir.”

Lições sobre a felicidade.

Aos quatro anos de idade aprendi duas importantes lições: Primeiro, não é difícil fazer alguém se sentir feliz. Segundo, a felicidade está dentro de nós. Quem me ensinou? Minha avó materna, até hoje referência de valores para mim. Eu a perdi quando tinha quase seis anos. Mas ainda assim suas lições ficaram fortemente cravadas em mim. Eis a que mais me marcou:

– Eu quero um ovo de páscoa – chorando eu pedia ao meu pai um tal objeto que eu havia visto nas mãos de uma criança do vizinho. Apenas me lembro que era bonito e vermelho com dourado. Acreditava tratar-se de um brinquedo e não tinha a menor idéia de que era para comer, muito menos de que era de chocolate. Ganhei um não redondo como resposta. Minha mãe queria me dar o tal ovo, mas meu pai a proibiu, não me perguntem porque. Como toda criança fiquei aos prantos por um tempo, depois me distrai com um outro brinquedo. No dia seguinte, chegou minha avó, que observara a situação, com o tal ovo na mão e me deu. Claro, fiquei em êxtase, não me cabia em mim de alegria. Então ela disse:

– Abra!

Devo ter ficado com cara de interrogação, porque ela pegou o embrulho de minhas mãos e desatou o laço, revelando-me três bombons sonho de valsa. Depois disso ela afirmou:

– A vovó não pode te dar o ovo hoje, mas quando ela conseguir a aposentadoria ela te dá o ovo de verdade.

(mais cara de interrogação ainda…)

Sim, porque pra mim, ela acabara de me dar o tal ovo. Aquele mesmo que eu tanto queria mais por ter achado o embrulho bonito.

Anos se passaram e quando um dia eu fazia um trabalho artesanal para dar de presente a alguém, pois eu não tinha dinheiro para comprar um presente, eu me lembrei desse acontecido e então entendi.

Ela não podia comprar o ovo de páscoa. Então ela foi ao vizinho, pediu o papel que envolvia o ovo que eu havia visto e que já havia sido consumido pela outra criança, comprou três bombons baratos, embrulhou-os nesse papel e me entregou. Só agora eu me dava conta. E como aquilo me satisfez. Ela conseguiu fazer-me sentir feliz e marcar sua presença determinantemente em minha vida, com um gesto criativo mesmo sem ter riquezas materiais.

Ela me ensinou que quando queremos podemos trazer alegria a outros, basta abrirmos nosso coração. E ensinou que a felicidade está dentro de cada um de nós, não importa o que possuímos. Pena que eu havia me esquecido disso por um tempo. E ao ver sua foto, antiga, já manchada pelo tempo, revelou-se dentro de mim sentimentos que, junto ao que a vida tem me mostrado ultimamente me motivaram a escrever sobre aquilo que minha avó gostaria que hoje eu estivesse exercitando sempre: A felicidade.

******************************************************************

A vida é uma sucessão de sabores, amores e sentires.

Alguns deles bons, outros nem tanto. Mas essa mescla de acontecimentos que temperam nossa existência serve para algum objetivo.

Lições talvez? Amadurecimento? Experiência?

De qualquer forma o que importa no final é que queremos viver e pronto. Mesmo com tudo isso. E viver mesmo, não apenas existir.

Quem não quer ser feliz? E a felicidade, o que é?

Seria um alvo a ser atingido? Um êxtase a ser sentido?

E se assim fosse, que graça teria afinal?

-Ah, vou ser feliz! Chegando lá, terei felicidade!

E aí? Chegou. E agora? Tenho a felicidade nas mãos, o que faço com ela? Como se usa?

Um dia desses, nessas minhas “navegações” pela internet reli a famosa frase de Gandhi:

“Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.”

Não se trata apenas de palavras bonitas. É a mais pura verdade. E fiquei feliz por perceber que sempre soube disso o tempo todo, embora ao olhar para trás, enxerguei anos passados, planos e expectativas frustrados, sentimentos de culpa.

Muitas vezes buscamos a felicidade nas coisas que adquirimos, nas pessoas que nos cercam. Outras vezes cremos que se formos corretos ao ponto de tentarmos ser perfeitos poderemos ser felizes. Abrimos mão de nossos anseios, sentimentos e objetivos, por anos, para “fazer” alguém feliz e quando decidimos fazer algo em prol de nossa própria felicidade, somos taxados de egoístas.

Tudo para descobrir que a felicidade não é um plano traçado, algo que alguém possa lhe dar, e muito menos um destino a ser atingido. É a constância de nossos dias, a junção de momentos e valores que está dentro de nós. Sim, a felicidade não se encontra além de nós, mas está em nosso interior o tempo todo.

Sinto, logo explico: O amor, por exemplo, traz felicidade? Sim. Mas traz a felicidade de dentro de nós para fora de nós. Sou feliz porque amo, não porque sou amada. Ou é possível ser feliz por ser amada, sem amar? Absolutamente, não.

Mas se amo e sou amada pelo alvo de meu amor, isso me faz duplamente feliz, porque alguém além de mim está feliz por me amar. E isso reflete dentro de mim, e não além.

Renasci quando percebi que ainda tenho o dom do amor, do amor verdadeiro, aquele que não requer algo em troca, embora sofri, porque redescobri que amar as vezes dói. Talvez seja por isso que muitas pessoas desistem. E assim, a chegada da felicidade não marca o fim de uma jornada, mas o início dela. Jornada que vale cada passo apesar dos pesares.

Se parássemos de buscar a felicidade e olhássemos sempre para dentro de nós, não nos julgando, mas buscando a criança inocente que um dia fomos, perceberíamos que nascemos com o dom de sermos felizes. Quando afirmamos que podemos fazer alguém feliz, na verdade afirmamos que podemos puxar a felicidade de dentro dessa pessoa. Porque se a pessoa não se acha passível de ser feliz, não há cristão no mundo que a faça ter tal sensação.

Por isso, entendi que temos que nos amar primeiro. Estarmos bem conosco. E aceitarmos o que a vida nos oferece, encarando as circunstâncias. E principalmente aprendi a amar a vida, e por mais que ela seja difícil muitas vezes, pude perceber que ela é linda e que vale à pena.

Quando alguém diz: não sei viver sem você, não posso ser feliz sem você, essa pessoa está se abstendo de sua própria felicidade e fazendo outros infelizes. E continuar ao lado dela por piedade, não a fará menos infeliz do que já é. Nem me fará mais feliz. Se eu sou egoísta por ter encontrado minha paz interior, o que seria aquele que a quer tirar apenas por acreditar que sua felicidade depende de minha presença em sua vida?

E afinal de contas, me sentindo feliz, posso refletir isso a outros, muitos mais do que se eu continuasse me anulando, resignada a uma depressão em prol de não me sentir egoísta.

E então, refletindo nisso, lembrei-me de como eu gostava de ser: Um bolo fresquinho que fiz, lá vai uma fatia para aquela senhora que está adoentada… minha felicidade é exercitada ao ver o brilho nos olhos dela, quando recebe minha visita.

Ei, aquele menino está chorando porque sua pipa enroscou na árvore. Eu sou mais alta, então vou tirá-la. Faz-me feliz ver suas lágrimas secando e seu sorriso se abrindo.

E então, você está chorando? Você está sofrendo…se eu pudesse tiraria com a mão seu sofrimento. Não posso. Mas gostaria de poder. Então me sinto feliz, porque a motivação de meu coração é a melhor possível, e se a única coisa que posso lhe dar é meu ombro amigo, fico feliz em oferecê-lo.

A felicidade pode ser sentida em pequenas coisas, às vezes pequenas a nosso modo de ver, mas enormes para quem recebe tal gesto.

Não, não quero nada em troca. O que diabos acontece com essas pessoas que só fazem o “bem” se tiverem por isso uma paga? Não é melhor e maior o valor de sentir-se feliz apenas por ver a felicidade de alguém reluzir em seus olhos?

Sim, lições. As vezes elas vem breves. Num singelo gesto. As vezes elas custam caro. Custam anos de nossa vida. Mas vale a pena aprende-las. Ou recorda-las e reaviva-las, voltar a praticá-las.

Quer ser feliz? Então, vem comigo. Talvez eu não possa ensinar, mas posso mostrar o que aprendi. O que mais quero nessa vida é tentar. E farei isso sorrindo!

*

Enluarada

*

A tradução dessa música é linda, vale a pena conferir! – Happy, com Michel Jackson.

Ecoa a dor do amor.

Apavora-me o que sinto agora. Porque tudo que é novo amedronta. Mas posto que esse sentir com inocência foi incitado, sem planos, sem consciência, agora no peito está arraigado e  sem dó absorveu meu existir.

Tudo em que pensei crer foi de mim tomado, meu coração antes enclausurado, encontrou razão de ser.

O erro foi crer que o amor não mais infringiria dor. Ou crer que a razão, controlaria o coração.O erro foi crer que eu saberia, que apenas esperar bastaria, aprender a duras penas que tentar entender não basta, nada alcança a raiz da dor, quando há ausência e distância.

Ecoa qual fala poderosa a dor em meu peito, apertando, grita de dentro avisando.Presa estou, preciso me libertar, mas não me avisaram que arrancar um sentimento assim era impossível.

Dói e mesmo assim é tão bom, não posso mais ser sem esse sentir.

Errei em pensar que mando no coração, que posso controlar seu pulsar. E agora suas batidas recordam-me, que ele não está aqui, que não posso decidir nem fugir. Que o que tenho aqui comigo não é suficiente, que não pode ser diferente, que não mais…E a dor, em desespero me deixa, quando me lembra da queixa de que posso perder.

Minhas lágrimas acabaram, meus soluços se converteram em tentativas de me conter. Porque sou assim, tão entregue ao sentir? Porque essa essência de a tudo me dedicar tão profundamente é perene em mim? Porque mesmo com essa dor não consigo ignorar esse amor? Porque quero correr tantos riscos, e mesmo sabendo que meu desejo é ter, ver, sentir, tocar, prefiro me ferir a magoa-lo? Por que se quero esse amor tão livre, seu silêncio me dopa, me incomoda? Por que se sei dos motivos e circunstâncias, fico nessa ânsia de que o mundo pare e num estalo, tudo seja apenas esse amor?

Perguntas, infinitas são, preciso conversar com meu coração. Preciso me compreender além da compreensão.

Mesmo porque esse amor, esse sentir, essa paixão, tudo tão novo apresentado a mim, de forma tão intangível, até mesmo indecifrável, faz surgir em mim o pranto, mas a felicidade também. Nunca fui tão feliz, nem tive tanta esperança. Esse querer libertou-me de muitas formas, e meu profundo desejo é que o alvo de meu querer seja feliz e pleno. De que importam meus anseios, afinal?

Controverso, desejar a liberdade e sentir dor frente à possibilidade de não ter nunca mais. Loucura a agonia por algo tão belo. E o que de mais belo me foi legado, nesse sentimento de dor ecoado foi descobrir que apesar de tudo a vida só tem sentido se vivemos um intenso amor. Mesmo se difícil for. Mesmo que manifesto apenas por palavras e pensamentos. Mesmo que não haja encontro de corpos. É o sentimento de essência. Do que realmente importa, do real valor – Indelével.

Dane-se essa dor. Fico com o amor.

*

Enluarada

*

“Não posso acreditar que fui tocada por um anjo
Com amor
Deixe a chuva cair
E lavar minhas lágrimas
Deixe-a encher minha alma
E afogar meus medos”

Celine Dion – A New Day has Come