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Quero sonhar…

Quero sonhar…

com o toque de tuas mãos por minha seda pele

arrepiada pelo êxtase de tua presença.

Quero sonhar…

com o passeio de teus lábios pelos vãos de meu ser

até que qual rio de delírios

desague beijos ao encontro dos meus.

Quero sonhar…

com teus olhos que trazem calma

e que com doçura afagam minha alma

enquanto me dizem em silêncio o que eu sempre soube.

Quero sonhar…

que me aqueces com teus braços

e que perdida em teu abraço possa sentir o calor

de quem minha alma tem esperado.

Quero sonhar…

com tua voz em meus ouvidos sussurrando teus gemidos,

melodiosa poesia declamada em forma de paixão.

Quero sonhar…

que estás aqui tão perto,

que inundou o meu deserto com tua presença,

oásis onde descanso o meu querer.

Quero sonhar…

pois quando lhe tiro de meus sonhos,

te faço real, mesmo à distância, mesmo na ânsia de por ti viver.

Quero sonhar…

porque em meus sonhos não há limites para te amar.

*

Enluarada

*

Meus sonhos são apenas lembranças do que ainda não aconteceu…mas que está dentro de mim.

Leitura íntima.

dddd

O fogo dança na lareira, lento, quase ao ritmo da canção que toca. É inevitável, o calor que emana me faz sentir tua presença me invadindo e a vontade de ti já não pode mais ser contida. Meu olhar, sob o efeito das cores que o flamejar das labaredas mesclam aos contornos de teu corpo, fita o que em sonhos eternizados almejei dia após dia.

Minhas mãos, aquecidas pelas chamas intensas de meu amor se perdem, cativas na vontade de deslizarem por cada centímetro teu. Com elas, faço a leitura mais perfeita dos contornos mais recônditos de teu corpo delirante. Leio teus olhos fechados com as pontas de meus dedos que intensos percorrem tua face, alcançam teus lábios. Leio teu desejo em tua superfície eriçada em arrepios, meu tato provocando calafrios, desvendando o percurso que me guia a teu prazer.

Leio quando te encantas, quando sentes, quando vibras e guiada por teus sentidos atiçados, o deslizar de mim por ti funde-nos em uma mistura de carícias e fome, anseios e sede, saciados nessa troca de contato. Meu tato te lê ávido ao tocar-te cada vez mais intimamente e muito mais profundamente despertar em sensações essa atmosfera viva e intensa.

Toques que se transformam em abraços, braços que se percorrem, corpos que se procuram, lábios que se misturam. Bocas que se encontram, que se perdem de si em busca de mais  e retornam na saudade do beijar. E teu olhar…me reflete em sentimentos, em reprise do momento, momento indefinível, abstrato – esse do amar – do queimar sem doer, do consumir-se sem perder.

Ao dominar-me nesse leito de paixão,ao tomar-me por inteira e adentrar-se em mim, faz-me conhecer as sensações mais absurdamente intensas, insanas. E na leitura que fazemos de nossos desejos, extinguimos qualquer mistério, unimos nossos hemisférios, exalamos êxtase, explodimos em emoções. Eu e você, sentindo-nos, lendo-nos, no mais extremo sensitivo literário dos amantes.

*

 

Enluarada

 

*

Meu corpo te pede, minha alma te chama de tal forma que se faz em mim o anseio de que abras as portas dos meus sentimentos e entre  no recinto de meu ser, penetrando intensamente em minha vida e fazendo-me viver o mais ardente  de todos os amores…

 

Ao som de Ronan Keating – When you say nothing at all

Lições sobre a felicidade.

Aos quatro anos de idade aprendi duas importantes lições: Primeiro, não é difícil fazer alguém se sentir feliz. Segundo, a felicidade está dentro de nós. Quem me ensinou? Minha avó materna, até hoje referência de valores para mim. Eu a perdi quando tinha quase seis anos. Mas ainda assim suas lições ficaram fortemente cravadas em mim. Eis a que mais me marcou:

– Eu quero um ovo de páscoa – chorando eu pedia ao meu pai um tal objeto que eu havia visto nas mãos de uma criança do vizinho. Apenas me lembro que era bonito e vermelho com dourado. Acreditava tratar-se de um brinquedo e não tinha a menor idéia de que era para comer, muito menos de que era de chocolate. Ganhei um não redondo como resposta. Minha mãe queria me dar o tal ovo, mas meu pai a proibiu, não me perguntem porque. Como toda criança fiquei aos prantos por um tempo, depois me distrai com um outro brinquedo. No dia seguinte, chegou minha avó, que observara a situação, com o tal ovo na mão e me deu. Claro, fiquei em êxtase, não me cabia em mim de alegria. Então ela disse:

– Abra!

Devo ter ficado com cara de interrogação, porque ela pegou o embrulho de minhas mãos e desatou o laço, revelando-me três bombons sonho de valsa. Depois disso ela afirmou:

– A vovó não pode te dar o ovo hoje, mas quando ela conseguir a aposentadoria ela te dá o ovo de verdade.

(mais cara de interrogação ainda…)

Sim, porque pra mim, ela acabara de me dar o tal ovo. Aquele mesmo que eu tanto queria mais por ter achado o embrulho bonito.

Anos se passaram e quando um dia eu fazia um trabalho artesanal para dar de presente a alguém, pois eu não tinha dinheiro para comprar um presente, eu me lembrei desse acontecido e então entendi.

Ela não podia comprar o ovo de páscoa. Então ela foi ao vizinho, pediu o papel que envolvia o ovo que eu havia visto e que já havia sido consumido pela outra criança, comprou três bombons baratos, embrulhou-os nesse papel e me entregou. Só agora eu me dava conta. E como aquilo me satisfez. Ela conseguiu fazer-me sentir feliz e marcar sua presença determinantemente em minha vida, com um gesto criativo mesmo sem ter riquezas materiais.

Ela me ensinou que quando queremos podemos trazer alegria a outros, basta abrirmos nosso coração. E ensinou que a felicidade está dentro de cada um de nós, não importa o que possuímos. Pena que eu havia me esquecido disso por um tempo. E ao ver sua foto, antiga, já manchada pelo tempo, revelou-se dentro de mim sentimentos que, junto ao que a vida tem me mostrado ultimamente me motivaram a escrever sobre aquilo que minha avó gostaria que hoje eu estivesse exercitando sempre: A felicidade.

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A vida é uma sucessão de sabores, amores e sentires.

Alguns deles bons, outros nem tanto. Mas essa mescla de acontecimentos que temperam nossa existência serve para algum objetivo.

Lições talvez? Amadurecimento? Experiência?

De qualquer forma o que importa no final é que queremos viver e pronto. Mesmo com tudo isso. E viver mesmo, não apenas existir.

Quem não quer ser feliz? E a felicidade, o que é?

Seria um alvo a ser atingido? Um êxtase a ser sentido?

E se assim fosse, que graça teria afinal?

-Ah, vou ser feliz! Chegando lá, terei felicidade!

E aí? Chegou. E agora? Tenho a felicidade nas mãos, o que faço com ela? Como se usa?

Um dia desses, nessas minhas “navegações” pela internet reli a famosa frase de Gandhi:

“Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.”

Não se trata apenas de palavras bonitas. É a mais pura verdade. E fiquei feliz por perceber que sempre soube disso o tempo todo, embora ao olhar para trás, enxerguei anos passados, planos e expectativas frustrados, sentimentos de culpa.

Muitas vezes buscamos a felicidade nas coisas que adquirimos, nas pessoas que nos cercam. Outras vezes cremos que se formos corretos ao ponto de tentarmos ser perfeitos poderemos ser felizes. Abrimos mão de nossos anseios, sentimentos e objetivos, por anos, para “fazer” alguém feliz e quando decidimos fazer algo em prol de nossa própria felicidade, somos taxados de egoístas.

Tudo para descobrir que a felicidade não é um plano traçado, algo que alguém possa lhe dar, e muito menos um destino a ser atingido. É a constância de nossos dias, a junção de momentos e valores que está dentro de nós. Sim, a felicidade não se encontra além de nós, mas está em nosso interior o tempo todo.

Sinto, logo explico: O amor, por exemplo, traz felicidade? Sim. Mas traz a felicidade de dentro de nós para fora de nós. Sou feliz porque amo, não porque sou amada. Ou é possível ser feliz por ser amada, sem amar? Absolutamente, não.

Mas se amo e sou amada pelo alvo de meu amor, isso me faz duplamente feliz, porque alguém além de mim está feliz por me amar. E isso reflete dentro de mim, e não além.

Renasci quando percebi que ainda tenho o dom do amor, do amor verdadeiro, aquele que não requer algo em troca, embora sofri, porque redescobri que amar as vezes dói. Talvez seja por isso que muitas pessoas desistem. E assim, a chegada da felicidade não marca o fim de uma jornada, mas o início dela. Jornada que vale cada passo apesar dos pesares.

Se parássemos de buscar a felicidade e olhássemos sempre para dentro de nós, não nos julgando, mas buscando a criança inocente que um dia fomos, perceberíamos que nascemos com o dom de sermos felizes. Quando afirmamos que podemos fazer alguém feliz, na verdade afirmamos que podemos puxar a felicidade de dentro dessa pessoa. Porque se a pessoa não se acha passível de ser feliz, não há cristão no mundo que a faça ter tal sensação.

Por isso, entendi que temos que nos amar primeiro. Estarmos bem conosco. E aceitarmos o que a vida nos oferece, encarando as circunstâncias. E principalmente aprendi a amar a vida, e por mais que ela seja difícil muitas vezes, pude perceber que ela é linda e que vale à pena.

Quando alguém diz: não sei viver sem você, não posso ser feliz sem você, essa pessoa está se abstendo de sua própria felicidade e fazendo outros infelizes. E continuar ao lado dela por piedade, não a fará menos infeliz do que já é. Nem me fará mais feliz. Se eu sou egoísta por ter encontrado minha paz interior, o que seria aquele que a quer tirar apenas por acreditar que sua felicidade depende de minha presença em sua vida?

E afinal de contas, me sentindo feliz, posso refletir isso a outros, muitos mais do que se eu continuasse me anulando, resignada a uma depressão em prol de não me sentir egoísta.

E então, refletindo nisso, lembrei-me de como eu gostava de ser: Um bolo fresquinho que fiz, lá vai uma fatia para aquela senhora que está adoentada… minha felicidade é exercitada ao ver o brilho nos olhos dela, quando recebe minha visita.

Ei, aquele menino está chorando porque sua pipa enroscou na árvore. Eu sou mais alta, então vou tirá-la. Faz-me feliz ver suas lágrimas secando e seu sorriso se abrindo.

E então, você está chorando? Você está sofrendo…se eu pudesse tiraria com a mão seu sofrimento. Não posso. Mas gostaria de poder. Então me sinto feliz, porque a motivação de meu coração é a melhor possível, e se a única coisa que posso lhe dar é meu ombro amigo, fico feliz em oferecê-lo.

A felicidade pode ser sentida em pequenas coisas, às vezes pequenas a nosso modo de ver, mas enormes para quem recebe tal gesto.

Não, não quero nada em troca. O que diabos acontece com essas pessoas que só fazem o “bem” se tiverem por isso uma paga? Não é melhor e maior o valor de sentir-se feliz apenas por ver a felicidade de alguém reluzir em seus olhos?

Sim, lições. As vezes elas vem breves. Num singelo gesto. As vezes elas custam caro. Custam anos de nossa vida. Mas vale a pena aprende-las. Ou recorda-las e reaviva-las, voltar a praticá-las.

Quer ser feliz? Então, vem comigo. Talvez eu não possa ensinar, mas posso mostrar o que aprendi. O que mais quero nessa vida é tentar. E farei isso sorrindo!

*

Enluarada

*

A tradução dessa música é linda, vale a pena conferir! – Happy, com Michel Jackson.