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Olhos da alma.

Enxergo-te com os olhos da alma. Há muito tempo que para mim tu és muito mais do que os lábios que desejo e o corpo que anseio junto ao meu. Perfeita essência de amizade, o dom da verdade que imortaliza o amor em meu coração.

É canção da brisa suave que traz longínquos segredos que me revelam o puro querer, é meu doce carinho que aguarda poder voar e pousar no teu ninho. São estrelas que brincam de brilhar como se fossem migalhas de luz conduzindo-me no caminho ao teu encontro, é o chão de céu que me faz enluarada quando penso no teu raiar de sol.

Raiar que me clareia e incendeia meus sentimentos, lume de emoções atiçando essa ânsia quase que inconsciente, inconsequente, espontânea. Sinto-te com o sentir mais profundo, sem ter explicações nem porquês. Apenas sinto-te perto mesmo estando longe, como a senda clara da lua riscando o mar feito giz luminoso, como se fosse um beijo ardente no momento em que o horizonte toca o oceano.

Quero-te como o pulsar de minhas veias que me mantêm viva, como o ar que me rodeia e traz perfumes que me fazem te imaginar. Encontro razões lúcidas ao mesmo tempo em que mergulho em sonhos mágicos, entrelaço meus dedos nas mãos do tempo e puxo com afinco desejando ser atendida: vem! Traga-me a alegria de teu olhar e sorriso, deixe que eu me perca no teu paraíso, faça de mim teu oásis se houver deserto perto, faça-me teu leito e descanse na paz que quero te dar.

Assim como o infinito existe e não se vê, e nele cabe tanto quanto o universo puder fluir, assim é a dimensão de minha esperança baseada nessa entrega. Dela não posso fugir estando rodeada por esse espaço onde tudo me lembra você.

*

Enluarada

*

“És vertente de palavras formando um lago de emoções, tomando minha existência com tudo o que eu sempre quis sentir.”

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Mar aberto.

À deriva  dentro de mim,  pergunto-me:  Quem sou eu?

O hoje, o agora, o amanhã e o depois. Talvez, quem sabe?

Não sou tão definível assim, minha essência é uma alquimia constante, meu interior é mutante. Tenho dentro de mim um oceano, um atlântico mar com suas inúmeras possibilidades.

Me jogo como ondas na areia, me atirando em sentimentos e emoções, recuando na dor, me desmanchando junto com a espuma das ilusões.

Reflito o clarear do Sol e o pratear da Lua, o fervor do calor e a frieza das noites confeccionadas em desejos insaciados, talvez até insaciáveis.   Sou imensa quando amo, e ínfima ao recolher-me da agonia nos momentos de solidão, quando desejo ser amada. Em tormenta me agito ante aos ventos do que não se dissolve e naufrago os pensamentos que me rondam mesmo sabendo que eles retornam à tona nos momentos de calmaria.

No vai e vem dos acontecimentos alheios a minha vontade, no insistir do que não está em minhas mãos, tento sobrepujar a mágoa extravasando em água e sal que escapam dos meus olhos. Meu ser em mar é tão grande e tão intenso que nem consigo mais me alcançar. Nem com todo esse desaguar de ansiedades. É como se eu tentasse domar a tempestade assoprando suas nuvens carregadas para longe. Qualquer coisa entre o conter das águas claras e reflexivas de quem sabe o que é realidade, e luta para não sofrer com isso, e o agitar de tsunamis carregados de amor e paixão, abarrotados de esperanças calculadas no trepidar causado por sons longínquos de um trovoar. O bater de um coração, flutuando sobre a superfície de um mar aberto, um eu navegável, apesar de tudo.

*

Enluarada

*

Os olhos escondem o temor de uma ilusão, o coração explode louco de paixão. Mas é assim é um mistério, amar aberto o coração sincero, como dois loucos ao mar…- (Mar aberto, interpretado pelo inesquecível Jessé.)

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Meu coração acalma o mar que guarda tamanhos segredos,  de versos naufragados e sem tempo… –  (Também na voz de Jessé.)

Sem limites.


O infinito de meu anseio.

Nas noites em que me desprendo de angústias,

remeto-me a viagens insólitas,

nesse espaço em que busco me encontrar,

munida de sentimentos até o fim da alma.

Solto arfares de desejo.

Lambuzo-me nos pensares abrasadores,

verto apelos, implorações, razões,

no respirar entusiasmado ao te lembrar,

entre lábios úmidos, intensos a tua procura.

São lábios vermelhos.

Lábios vorazes, sedentos, provocantes,

que se mordem inquietos de vontade.

Atreva-se, avance, se solte, venha,

atravesse as dimensões, vença os receios

Busque-me, sonde-me.

Desvende meus segredos aleatórios,

estenda tuas mãos e passeie-as por meu corpo,

corpo atiçado, flamejado, exaltado, insinuante.

Consuma minha superfície com beijos.

Encontre meus seios.

Beba-me, devagar, incessante,

desliza tua língua sobre minha pele em chamas,

resfrie-me com a enxurrada de teu prazer,

morda meu pescoço, sinta meu cheiro.

Atravesse-me, inunde-me.

Acorde meus sentidos mais recônditos,

delire em meus gemidos abafados,

perdidos em meio a toques da tua boca,

cala-me, jura-me e acenda-me mais.

Entre, entrego-me.

Faça-me tua, enquanto nua, encantada,

lamba, sinta, ofegue, rasgue-me,

misture teu corpo no meu, goze.

Alivia-me da tua ausência, deixe tua essência,

envolva-me. Saboreie-me.

Sem limites.

*

Enluarada

*

É puro amor, paixão…em ebulição, contidos,seguros à força dentro de mim. – Rimas e devaneios ao som de ♥ Total Eclipse of the Heart ♥ – Bonnie Tyler

Luz e emoção

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Quando na inércia de uma essência desprezada, amontoada em um canto qualquer,
Um sentimento afluiu, ebuliu quase do nada, sem espera surgiu,
Não dormia na esperança de poder sonhar mais estando acordada.
Estava apagada quando sentiu na pele a luz, se iluminou – tornou-se enluarada.
Apenas uma esfera de cristais, linda, intensa, esperando refletir,
Contradizendo tempo, distância e sanidade, e o que fosse possibilidade.
A chama acesa dentro de si surgiu espalhando o desejo,
Encanto inesperado, mas fortemente bem vindo.
Fecha os olhos a lua pequena, sonha com um momento no tempo.
Abra os olhos gota de luz, faz-se possuir pelo amor que a seduz.
Pele suave, toque leve, alma de romance, nuance de delírios.
Queima em seu peito feroz e fulgurante o desejo do toque de quem está distante.
Se farta feliz de devaneios floreados,
Seu corpo afobado – se contradiz com a paciência de seu espírito.
Quer saciar-se como sedenta em meio ao calor,
Molha os lábios em beijos imaginados, mergulha num lago inventado.
Tem junto a si em pensamento o fim da distância, tormento,
É abraçada, deflagrada, sente-se tomada, aos goles fartando-o.
Prova do néctar surgindo de seus poros,
Olhares fixos,  juntos, respiração ofegando, abismo de prazer.
Era dela e dele a espera, o desejo a flor da pele, o encontro absoluto.
Mãos correm soltas em seus corpos de luz e calor,
Seguram, abraçam, apertam, afagam, acariciam e possuem-se
Lábios já são apenas um,
Unindo-se, mordendo-se, deslizando-se, saboreando como jamais.
Sente dentro de si aquele que foi alvo de sua paixão,
Enamora-se com o delírio de ser possuída, chora, grita, recita.
Afunda-se sem desejo de ressurgir, apenas lhe quer,
Lua que brilha, alma de mulher.
Era brasa apagada, por causa dele tornou-se chama incandescente.
Ela é mais do que sensações, traspassando as emoções,
Em seus olhos brilha legível, a luz da inspiração ressuscitada,
E ao se entregar a esse sonho iluminado, respira o ar de seu amado.
Tornando a sonhar acordada,
Sentindo no ar a claridade trazida pelo constante e distante sentimento,
Volta apenas a reluzir e em seus versos transcrever,
E em infinita espera, torna mais que uma quimera esse amor que se fez nascer.

*

Enluarada

*

Som e melodia em forma de poesia: Fênix, de Jorge Vercilo; Extreme – More Than Words.