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Sou.

Sou maré feita de lua, ora alta, ora baixa, ora onda que se encaixa no vão da areia de um renascer.

Sou o vão também. E areia. Vão do querer, o espaço entre o desejo e o beijo, areia do tempo, corrente entre vidros, despejando momentos.

Sou o transbordar da paixão nesse mar que revolto espalha mistérios, a música que o silêncio canta, a melodia da maresia, dançada pelos ventos.

Sou os contos e mitos, os ditos transcritos, o que puxa para o fundo e eclode em vida, sou a certeza e a dúvida, a destreza no lutar.

Sou teus olhos querendo brilhar, o deitar e o levantar, teu encontro com a paz, teu desvendar.

Sou a barreira do medo, que transformo em brinquedo ou em canção de ninar. E afasto de mim o pavor, o torpor, pois sou…

Sou cartas em garrafas, a ti destinadas, jurando que chegarão, como um raio de sol em meio à escuridão, guiando meu chão, pelo sim, pelo não.

Sou dia, em luz acesa e calor, sou noite, em espera, refletindo luzeiros, coletando estrelas e com elas brilhando.

Sou as belas asas da libertação, sou segredo aberto ao coração, o desvelo ao início de mim, sou zelo.

Sou procura, a tua, que nessas marés se mistura, e ainda vem e vai. Mas sou ainda mais.

Sou o que busco ser. Sou encontro, mesmo que por acontecer, sou abraço, carícia, euforia, emoção.

Sou descoberta, sem negação, maremoto e furacão, por ti sou explosão e aventura, sou a dor e a mesma que cura, sou fera, sou mansa, sou dócil, sou criança.

Sou a esperança do enfim, sou a entrega de mim, a um sentimento que é.

Sou verdadeira, escorro inteira, qual cachoeira nos penhascos onde me encontro, e sou eu em você.

Sou tudo, enquanto puder amar. O eternizar. Porque o amor nos faz ser. Mesmo sem querer.

*

Enluarada, em 23/02/2010

*

 

“Ah, esses versos meus…tão seus…”

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou…

 

Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero
Resposta…

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou…

Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão…

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite…

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante…

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Proximidade distante

Amor exala por cada célula, cada fagulha de energia viaja, vibra, paira e encontra o destino: o fôlego, o respirar, o bater de um coração.

Sozinha, sonhos e devaneios transformam-me .

A fixação bate à porta , atendo só para encontrar sua imagem dentro de meus pensamentos.

Ao som de uma doce melodia, seu perfume apenas em minha memória, tem cheiro, tem gosto, quase posso tocar sua presença, apenas quase…quase sinto seus lábios e o som de sua voz ao dizer meu nome entre pedidos, poemas e perdições.

Infinito, urge o sentimento abarrotado em meu peito, qual incêndio incontrolável, inevitável, insondável.

Sentimento emergente, clareando a face de minha alma, tal qual nascer do sol abrasador, avassalador – seus olhos em mim queimam, inspiram, acendem…

A forma de amar mais abstrata e absurda, transcendeu , tangeu cada linha de meu ser. Seguirá intenso, emanando até o destino reconhecer.

Sofrido, exilado esse amor em mim encontrado é mapa no labirinto infinito da vida, trancado, marcado e tatuado em mim.

Entender? Desnecessário. Impossível decifrar a presença que inexiste, mas que percorre intensamente meu ser levando à vibração, interiorização, euforia.

Queima, arde, e dói docemente, saudade inerente, espera constante, te querer se tornou um vício, maravilhoso desespero, incansável busca.

Pensamentos, incertezas, inseguranças, longe de ti surgem. Seu sorriso minha calmaria, sua presença meu refúgio, meu desejo, querer, realizar, viver.

Não há disfarce, nem segredo em minha alma.

A porta se abre me permitindo entrar nessa reviravolta que é te amar assim pelo vento, pelo avesso, nessa distante proximidade -como posso sentir-te tão perto, tão em mim?

Marco os rumos dessa história te encontrando dentro de mim, apenas dentro de mim, por meio de palavras escritas, faladas, recitadas, mas em meus sonhos, são palavras beijadas, apaixonadas, palavras vivas.

E enquanto passo dias sem lhe ver, sem lhe ter, sem saber, corro louca contra o tempo, quase destruo relógios, que gotejam segundos, gota a gota, um a um, pouco a pouco. Silêncio.

A doce melodia ainda toca e encontra sua presença além de mim, e seu toque imaginado me acende e me joga em um emaranhado de sentir, despertando meus sentidos em cada centímetro de meu ser que vive prestes a por você se perder.

Profundo, pela mão do amor guiado, sentimento espalhado, por lençóis feitos de estrelas, estrelas que vejo, que vês, que clareiam a esperança, reluzem o acontecer.

Quando há de ser?

Nesse gosto, nesse cheiro, que me remete ao seu encontro, meu coração viaja inteiro, querendo acalmar-se, querendo entregar-se.

E em ti, encontra-se, revive.

Enquanto nessas juras e rimas, no tempo em que nossas vidas se cruzaram, vou sentindo apenas, quase, sua presença, que ainda paira atrás da porta de meus pensamentos aficionados e perdidos por ti, apenas por ti.

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Enluarada

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“Longe de ti, tudo parou…vem me fazer feliz porque eu te amo, você desagua em mim e eu oceano, me  esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você.”Djavan.