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Uma lição de Drummond: “Viver NÃO dói.”

Hoje, um post com uma poesia que não é de minha autoria. Escrevi várias pensando nesse momento, mas essa de Drummond simplesmente diz tudo. Dispensa comentários. E em homenagem aos poetas e escritores que falam com o coração, ao poeta que me inspirou e ainda inspira, às pessoas que apreciam poesia e palavras fluidas do coração, essa arte pintada em vermelho sangue, com sentimento, repito aqui as palavras de um grande e apaixonado poeta: Carlos  Drummond de Andrade.

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Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

*

Carlos Drummond de Andrade

*

A única garantia que tenho é o que sinto…estará aqui sempre, eterno ficará, mesmo que de outra forma. Só pela razão de ser, tornou-se impossível desfazer. Em eternas linhas escritas, ou apenas na corrente do tempo como lembrança…fez-se inspiração, logo eternizou-se!

*Por Enluarada*  Ao som de Iluminados – Ivan Lins – Porque o  amor, por mais distante e estranho que pareça,  tem o dom de curar corações!

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