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Uns e outros…venenos e ostras.

Há pessoas que têm a beleza cristalina e angelical de uma água viva, passando com falsa leveza ao nosso redor, até que ao tocarem em nossas vidas nos mostram o veneno ardente de suas atitudes, palavras, seus pensamentos e sentimentos.

Enquanto isso, algumas pessoas se fecham como ostras e passam a construir valiosas pérolas no silêncio de seu interior, onde estabelecem idéias e ideais sem a constante necessidade de se auto-afirmarem em público às custas de fofocas e depreciação de outrem , mostrando assim que o brilhantismo do caráter compensa a medíocridade dos que dedicam-se mais a vida alheia do que a própria vida.

*

Enluarada

*

 

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Identidade.

Tento me focar no espelho mas há uma imagem distorcida. Tento evocar meu ego, mas me pego perdida entre o que realmente desejo e o que a vida me confere em realidade. Sinto um torpor dolorido no peito, nas pernas, nas mãos e em vão tento me reanimar.
O que eu realmente quero? Céus, só mais um pouco de alento pra esse coração perdido de Lua sem Sol…

Um brilho prateado cai de meus olhos
e há uma dor fincada em meu peito
a força do desejo está trançada em meu luar
segurando os pedaços de meu coração,
mas só ouço desculpas e letras de canção

Há um refúgio sequer?
Há um deleite aonde chovem perdas,
há um refrigério aonde acaloram-se danos?
Encontro a mim mesma, mas sem respostas.

Bate à porta minha identidade ferida,
meu ego despetalado em busca de saída.
A noite é sem sentido quando os sonhos fogem
e as estrelas são meu pranto refletido.

Já quis ser ave, astro e nuvem,
almejei o rumo do vento e a voz da brisa,
almejei a distância e amei,
amei mais do que pensei que fosse possível,
em letras, em ilusões, em versos.

Amei em gritos da alma, em pecado,
em virtudes e em inocência,
jurei aos segundos minha paciência,
perdi meu caminho no retorno…

Agora o abandono…
abandono por mim mesma de meu reflexo,
as dúvidas e um destino sem nexo,
e a incompreensão de quem não tem poesia.

Que me diz poesia?
Quem sou agora enquanto meu ser chora,
por qual vão gotejarei enquanto meu íntimo implora
por respostas no clarear de meu dia?

É como um punhal me atravessando,
uma dor que por sinal já senti outras vezes,
há não muitos meses quando me senti em desamor,
conheço bem essa dor.

Manhã tardia, vida em neblina,
e saudade e mais saudade…
…do que se foi e não tenho mais,
do que jamais tive e ainda anseio,
saudade e medo…

…como se fosse possível ainda andar de mãos dadas
com quem se confia um doce segredo.

*
Enluarada
*

As chamas de meu coração me cobram lembrar que quando mais precisei, quase ninguém estava lá…mas quem estava? Quase nunca, ninguém está.

“Agora está tão longe ver, a linha do horizonte me distrai…aonde está você agora, além de aqui dentro de mim?…Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou, vai ser difícil sem você, porque você está comigo o tempo todo e quando vejo o mar, existe algo que diz QUE A VIDA CONTINUA E SE ENTREGAR É UMA BOBAGEM, já que você não está aqui o que posso fazer é cuidadar de mim…quero ser feliz ao menos, lembrar que o plano era ficarmos bem…”

Que eu seja…amar.

E é no meu silêncio que escrevo com as letras do meu barulho, porque sou pobre de orgulho.

Porque me sinto tão Lua, tão distante, errante, de longe brincando com o mar e jogando a água com força na areia.

Daqui vejo muita coisa. Fico a pensar, o que será? Que assim seja…

E se o mar é amar, que seja em mim o mais intenso, vasto, aberto e imenso – oceano dos olhos meus que um dia desaguarão nos teus.

E se o céu é amar, que seja em mim o mais infinito, estrelado, explorado e mais bonito – asas de um coração que busca a tua direção.

E se viver é amar, que seja a vida mais plena, que a dor seja feita pequena, o que se viveu seja válido, que a luta faça sentido.

E se amar é luz, quero ser a mais forte, brilhar de sul a norte, quero te clarear, com meu calor te abraçar, teu desejo despertar.

E se amar é voar, que eu seja alada em liberdade – nessa força que me invade, que me faz flutuar – seja em pensamento, seja em poesia.

E se amar é escrever, teu corpo: meu papiro, minhas mãos: tinta e pena, minha alma rimando serena na vastidão do meu querer.

E se amar é tudo, que eu seja ainda mais, o universo, o mundo, o transcender, o além de mim, meu eu em você – o começo e o fim.

E se amar é AMAR, que eu seja Lua permanente, chorando o mar no céu espelho, no viver, no sonhar, na tua luz em vôo livre, no teu encanto, porque nunca, simplesmente – NUNCA – amei tanto.

*

Enluarada

*


Encontrei a música perfeita…

“I love you just the way you are,

So come with me and share the view,

I’ll help you see forever too

Hold me now,

touch me now,

I don’t want to live without you…”

(George Benson –  Nothing’s Gonna Change My Love For You)

Poema para o Sol.

Tanta coisa se passa em meu interior, tanta tempestade, tantos sentimentos conturbados, mas no fim, quando paro e penso, quando meus olhos estiam, quando olho  dentro do meu coração, apenas escuto a minha canção…ela ainda não está pronta, ela ainda é apenas poesia. Mas talvez ela nunca fique totalmente pronta, porque essa poesia que habita em mim flui infinita. São letras doces acompanhadas de melodia calma. E é tanta coisa que sinto ao tentar lembrar, tanta coisa… Queria ser um passarinho e poder voar, e talvez em um ninho me aconchegar nos momentos de frio, queria ser uma flor, queria ser a alegria e despertar sorrisos, queria ser  motivação e  força, queria ver que o brilho nos olhos da felicidade. Queria ser a primeira imagem no amanhecer, ou então poder ver os olhos de quem amo se fecharem em sono tranqüilo, por causa da calma no coração.  Aqui dentro de mim eu queria ser tanta coisa, mas posso apenas ser palavras. Ainda bem, porque  as palavras podem  me transformar em qualquer coisa. E assim, escrevendo, me transformo em beijos, me converto em frases  e nem o infinito pode vencer o poder dos versos em mim. Minhas rimas são minhas mãos segurando 0 horizonte, e conseguem até sentir o calor do toque. Sou lua e meu poema é para o

Sol…

Tua fonte de luz habita

Os desejos do meu coração

Em beijos raiados

E carinhos escritos

És o astro que aquece

És a ausência que me preenche

És a saudade que me conforta

Tenho flores nas mãos

E néctar nos lábios

E o medo fugiu de mim

Sinta, apenas estou aqui

E ante a tudo que vi e vivi

Descobrindo inspirações

A poesia em mim continua

Sempre minha, sempre tua

e continua…

*

Enluarada

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“Espero que você não se importe que eu exprima em palavras, quão maravilhosa é a vida enquanto você está em meu mundo…” (Your song – Elton John)

Mar aberto.

À deriva  dentro de mim,  pergunto-me:  Quem sou eu?

O hoje, o agora, o amanhã e o depois. Talvez, quem sabe?

Não sou tão definível assim, minha essência é uma alquimia constante, meu interior é mutante. Tenho dentro de mim um oceano, um atlântico mar com suas inúmeras possibilidades.

Me jogo como ondas na areia, me atirando em sentimentos e emoções, recuando na dor, me desmanchando junto com a espuma das ilusões.

Reflito o clarear do Sol e o pratear da Lua, o fervor do calor e a frieza das noites confeccionadas em desejos insaciados, talvez até insaciáveis.   Sou imensa quando amo, e ínfima ao recolher-me da agonia nos momentos de solidão, quando desejo ser amada. Em tormenta me agito ante aos ventos do que não se dissolve e naufrago os pensamentos que me rondam mesmo sabendo que eles retornam à tona nos momentos de calmaria.

No vai e vem dos acontecimentos alheios a minha vontade, no insistir do que não está em minhas mãos, tento sobrepujar a mágoa extravasando em água e sal que escapam dos meus olhos. Meu ser em mar é tão grande e tão intenso que nem consigo mais me alcançar. Nem com todo esse desaguar de ansiedades. É como se eu tentasse domar a tempestade assoprando suas nuvens carregadas para longe. Qualquer coisa entre o conter das águas claras e reflexivas de quem sabe o que é realidade, e luta para não sofrer com isso, e o agitar de tsunamis carregados de amor e paixão, abarrotados de esperanças calculadas no trepidar causado por sons longínquos de um trovoar. O bater de um coração, flutuando sobre a superfície de um mar aberto, um eu navegável, apesar de tudo.

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Enluarada

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Os olhos escondem o temor de uma ilusão, o coração explode louco de paixão. Mas é assim é um mistério, amar aberto o coração sincero, como dois loucos ao mar…- (Mar aberto, interpretado pelo inesquecível Jessé.)

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Meu coração acalma o mar que guarda tamanhos segredos,  de versos naufragados e sem tempo… –  (Também na voz de Jessé.)

Lições sobre a felicidade.

Aos quatro anos de idade aprendi duas importantes lições: Primeiro, não é difícil fazer alguém se sentir feliz. Segundo, a felicidade está dentro de nós. Quem me ensinou? Minha avó materna, até hoje referência de valores para mim. Eu a perdi quando tinha quase seis anos. Mas ainda assim suas lições ficaram fortemente cravadas em mim. Eis a que mais me marcou:

– Eu quero um ovo de páscoa – chorando eu pedia ao meu pai um tal objeto que eu havia visto nas mãos de uma criança do vizinho. Apenas me lembro que era bonito e vermelho com dourado. Acreditava tratar-se de um brinquedo e não tinha a menor idéia de que era para comer, muito menos de que era de chocolate. Ganhei um não redondo como resposta. Minha mãe queria me dar o tal ovo, mas meu pai a proibiu, não me perguntem porque. Como toda criança fiquei aos prantos por um tempo, depois me distrai com um outro brinquedo. No dia seguinte, chegou minha avó, que observara a situação, com o tal ovo na mão e me deu. Claro, fiquei em êxtase, não me cabia em mim de alegria. Então ela disse:

– Abra!

Devo ter ficado com cara de interrogação, porque ela pegou o embrulho de minhas mãos e desatou o laço, revelando-me três bombons sonho de valsa. Depois disso ela afirmou:

– A vovó não pode te dar o ovo hoje, mas quando ela conseguir a aposentadoria ela te dá o ovo de verdade.

(mais cara de interrogação ainda…)

Sim, porque pra mim, ela acabara de me dar o tal ovo. Aquele mesmo que eu tanto queria mais por ter achado o embrulho bonito.

Anos se passaram e quando um dia eu fazia um trabalho artesanal para dar de presente a alguém, pois eu não tinha dinheiro para comprar um presente, eu me lembrei desse acontecido e então entendi.

Ela não podia comprar o ovo de páscoa. Então ela foi ao vizinho, pediu o papel que envolvia o ovo que eu havia visto e que já havia sido consumido pela outra criança, comprou três bombons baratos, embrulhou-os nesse papel e me entregou. Só agora eu me dava conta. E como aquilo me satisfez. Ela conseguiu fazer-me sentir feliz e marcar sua presença determinantemente em minha vida, com um gesto criativo mesmo sem ter riquezas materiais.

Ela me ensinou que quando queremos podemos trazer alegria a outros, basta abrirmos nosso coração. E ensinou que a felicidade está dentro de cada um de nós, não importa o que possuímos. Pena que eu havia me esquecido disso por um tempo. E ao ver sua foto, antiga, já manchada pelo tempo, revelou-se dentro de mim sentimentos que, junto ao que a vida tem me mostrado ultimamente me motivaram a escrever sobre aquilo que minha avó gostaria que hoje eu estivesse exercitando sempre: A felicidade.

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A vida é uma sucessão de sabores, amores e sentires.

Alguns deles bons, outros nem tanto. Mas essa mescla de acontecimentos que temperam nossa existência serve para algum objetivo.

Lições talvez? Amadurecimento? Experiência?

De qualquer forma o que importa no final é que queremos viver e pronto. Mesmo com tudo isso. E viver mesmo, não apenas existir.

Quem não quer ser feliz? E a felicidade, o que é?

Seria um alvo a ser atingido? Um êxtase a ser sentido?

E se assim fosse, que graça teria afinal?

-Ah, vou ser feliz! Chegando lá, terei felicidade!

E aí? Chegou. E agora? Tenho a felicidade nas mãos, o que faço com ela? Como se usa?

Um dia desses, nessas minhas “navegações” pela internet reli a famosa frase de Gandhi:

“Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.”

Não se trata apenas de palavras bonitas. É a mais pura verdade. E fiquei feliz por perceber que sempre soube disso o tempo todo, embora ao olhar para trás, enxerguei anos passados, planos e expectativas frustrados, sentimentos de culpa.

Muitas vezes buscamos a felicidade nas coisas que adquirimos, nas pessoas que nos cercam. Outras vezes cremos que se formos corretos ao ponto de tentarmos ser perfeitos poderemos ser felizes. Abrimos mão de nossos anseios, sentimentos e objetivos, por anos, para “fazer” alguém feliz e quando decidimos fazer algo em prol de nossa própria felicidade, somos taxados de egoístas.

Tudo para descobrir que a felicidade não é um plano traçado, algo que alguém possa lhe dar, e muito menos um destino a ser atingido. É a constância de nossos dias, a junção de momentos e valores que está dentro de nós. Sim, a felicidade não se encontra além de nós, mas está em nosso interior o tempo todo.

Sinto, logo explico: O amor, por exemplo, traz felicidade? Sim. Mas traz a felicidade de dentro de nós para fora de nós. Sou feliz porque amo, não porque sou amada. Ou é possível ser feliz por ser amada, sem amar? Absolutamente, não.

Mas se amo e sou amada pelo alvo de meu amor, isso me faz duplamente feliz, porque alguém além de mim está feliz por me amar. E isso reflete dentro de mim, e não além.

Renasci quando percebi que ainda tenho o dom do amor, do amor verdadeiro, aquele que não requer algo em troca, embora sofri, porque redescobri que amar as vezes dói. Talvez seja por isso que muitas pessoas desistem. E assim, a chegada da felicidade não marca o fim de uma jornada, mas o início dela. Jornada que vale cada passo apesar dos pesares.

Se parássemos de buscar a felicidade e olhássemos sempre para dentro de nós, não nos julgando, mas buscando a criança inocente que um dia fomos, perceberíamos que nascemos com o dom de sermos felizes. Quando afirmamos que podemos fazer alguém feliz, na verdade afirmamos que podemos puxar a felicidade de dentro dessa pessoa. Porque se a pessoa não se acha passível de ser feliz, não há cristão no mundo que a faça ter tal sensação.

Por isso, entendi que temos que nos amar primeiro. Estarmos bem conosco. E aceitarmos o que a vida nos oferece, encarando as circunstâncias. E principalmente aprendi a amar a vida, e por mais que ela seja difícil muitas vezes, pude perceber que ela é linda e que vale à pena.

Quando alguém diz: não sei viver sem você, não posso ser feliz sem você, essa pessoa está se abstendo de sua própria felicidade e fazendo outros infelizes. E continuar ao lado dela por piedade, não a fará menos infeliz do que já é. Nem me fará mais feliz. Se eu sou egoísta por ter encontrado minha paz interior, o que seria aquele que a quer tirar apenas por acreditar que sua felicidade depende de minha presença em sua vida?

E afinal de contas, me sentindo feliz, posso refletir isso a outros, muitos mais do que se eu continuasse me anulando, resignada a uma depressão em prol de não me sentir egoísta.

E então, refletindo nisso, lembrei-me de como eu gostava de ser: Um bolo fresquinho que fiz, lá vai uma fatia para aquela senhora que está adoentada… minha felicidade é exercitada ao ver o brilho nos olhos dela, quando recebe minha visita.

Ei, aquele menino está chorando porque sua pipa enroscou na árvore. Eu sou mais alta, então vou tirá-la. Faz-me feliz ver suas lágrimas secando e seu sorriso se abrindo.

E então, você está chorando? Você está sofrendo…se eu pudesse tiraria com a mão seu sofrimento. Não posso. Mas gostaria de poder. Então me sinto feliz, porque a motivação de meu coração é a melhor possível, e se a única coisa que posso lhe dar é meu ombro amigo, fico feliz em oferecê-lo.

A felicidade pode ser sentida em pequenas coisas, às vezes pequenas a nosso modo de ver, mas enormes para quem recebe tal gesto.

Não, não quero nada em troca. O que diabos acontece com essas pessoas que só fazem o “bem” se tiverem por isso uma paga? Não é melhor e maior o valor de sentir-se feliz apenas por ver a felicidade de alguém reluzir em seus olhos?

Sim, lições. As vezes elas vem breves. Num singelo gesto. As vezes elas custam caro. Custam anos de nossa vida. Mas vale a pena aprende-las. Ou recorda-las e reaviva-las, voltar a praticá-las.

Quer ser feliz? Então, vem comigo. Talvez eu não possa ensinar, mas posso mostrar o que aprendi. O que mais quero nessa vida é tentar. E farei isso sorrindo!

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Enluarada

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A tradução dessa música é linda, vale a pena conferir! – Happy, com Michel Jackson.

Reflexões de Lua.

Uma das piores coisas que existem é você querer gritar palavras aos quatro ventos e ter que segurar tudo entalado na garganta. Haja razão para controlar a emoção.

As coisas se repetem em minha vida, é impressionante.

Quando eu vou aprender, não sei. Talvez nunca aprenda. E talvez eu esteja errada. Aprender nunca será o suficiente para uma pessoa que vive de sentir. Sentimento não se aprende. Apenas se sente.

Eu desisti de me entender. Ao refazer minha vida, não quero cometer os mesmos erros. Mas para refazê-la, terei que errar.

Como numa reforma onde precisamos primeiro demolir para depois reconstruir totalmente. Simplesmente não me conformo com uma “maquiagem” básica na vida.

Nunca consegui viver de aparências. Sou o que sou e pronto. Coisas quebradas quando reformadas sempre ficam com marcas. O negócio é fazer de novo.

Sou um poço de sentimento. E derramo esse sentimento a todos que me cercam. E não entendo quando as pessoas parecem simplesmente não notar. O complicado em quem é mais sentimento do que razão é que esperamos que as outras pessoas sintam da mesma forma, com a mesma intensidade, ou pelo menos demonstrem entender o que sentimos. Pior, às vezes nos pegamos insatisfeitos com a forma de pensar e agir de pessoas que não retribuem nossa expressão de sentimento. E claro, vem a frustração ao reconhecer que cada um é cada um com direitos de sentir, raciocinar e amar de seu próprio jeito. E então vem a culpa.

E eu sinto e sinto…sinto tanto, sinto muito. Sinto medo, coragem, amor, pena, desprezo, mágoa. Menos indiferença. Talvez a indiferença me fizesse bem, me anestesiasse. Eu sofreria menos. Mas eis aí uma coisa rara em mim: ser indiferente. Posso ser indiferente quanto a um tipo de comida ou outro, quanto a uma cor ou outra, quanto a um cheiro ou outro. Mas quanto aos sentimentos, jamais.

E por vezes me pego pensando em razões para que outras pessoas deixem de notar e reconhecer isso em mim. Fico inventando justificativas para mim mesma, em prol dessas pessoas.

E sou assim. Sempre busco melhorar, claro. Mas minha essência é essa complicação gostosa de sentir e amar, me entregar,  sofrer…e repetir. Penso, repenso, raciocino, peso, meço choro e girando em círculos olho para dentro de mim novamente e penso: dane-se. É isso mesmo que quero. Ou seria: é isso mesmo que quero sentir?

Múltiplas escolhas, para quem tem múltiplos sentimentos.

Salve-me quem puder. Ame-me quem quiser.

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Enluarada

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