Mosaico de palavras.

Estou sozinha, em meu quarto escuro,

olhos fechados, buscando consolo em lembranças,

perdida em pensamentos e planos.

Tanta coisa eu poderia e gostaria de dizer,

mas as palavras se desfazem quando tento.

Então as juntei mesmo desfeitas e moldei-as,

ansiando fazer arte com palavras despedaçadas,

quem sabe elas ainda me sirvam, e te toquem.

E foi pelo meio dos cacos de letras e sílabas tortas,

que encontrei as rimas certas e o tom das linhas,

dissolvidos em tudo o que eu desejaria expressar.

E nessa penumbra, buscando e encontrando meu eu,

que insiste em explodir em desejos e devaneios,

sua face surge desenhada entre meus versos mosaicos

e por não querer perdê-la de vista,

afogo e escondo meus sentimentos controversos.

Não quero respostas, apenas desejo que saibas,

não busco nada que vá além do que sinto.

Quero ser passagem enquanto posso ser lida,

se um dia puder ser presença, serei.

Mas dia após dia, algo me corrói por dentro,

é essa imensa necessidade de querer te fazer sorrir,

essa ansiedade por querer te ver feliz,

essa verdade de querer saber que é assim.

Arrisco viver de palavras moldadas por minha alma,

mas meu coração quer mais.

Quer luta e vitória, não a realidade transitória.

Quer te declamar ao ouvido, e sentir tua face,

não apenas ser lido ou imaginar-te.

E nessas horas em que divago, em meus olhos,

que aos poucos se abrem, reluz a vontade,

essa que sempre me invade, de ser tua por inteira,

completando minha arte escrita,

com a maior arte da vida, a eterna arte de amar…

*

Enluarada

*

Ao som de Palavras ao vento – na voz de Cássia Eller.

“Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar”

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3 pensamentos sobre “Mosaico de palavras.

  1. Quando digo, me desfaço, como tinta absorvida pelo papel pra ser lido pela retina dos olhos teus, falo disso.

    Depois de lido, sou rasgado.

    Mas antes de ser lido, tenho que ser escrevido. Ela escreve em mim como se minha pele fosse pergaminho vivo, o vinho a tinta vermelha. Vermelho vivo, de paixão e sangue. Sou escrevido e lido…

    Somos assim…

    Belíssimo texto 🙂
    Parabéns…

    Samuel

    Curtir

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