Ecoa a dor do amor.

Apavora-me o que sinto agora. Porque tudo que é novo amedronta. Mas posto que esse sentir com inocência foi incitado, sem planos, sem consciência, agora no peito está arraigado e  sem dó absorveu meu existir.

Tudo em que pensei crer foi de mim tomado, meu coração antes enclausurado, encontrou razão de ser.

O erro foi crer que o amor não mais infringiria dor. Ou crer que a razão, controlaria o coração.O erro foi crer que eu saberia, que apenas esperar bastaria, aprender a duras penas que tentar entender não basta, nada alcança a raiz da dor, quando há ausência e distância.

Ecoa qual fala poderosa a dor em meu peito, apertando, grita de dentro avisando.Presa estou, preciso me libertar, mas não me avisaram que arrancar um sentimento assim era impossível.

Dói e mesmo assim é tão bom, não posso mais ser sem esse sentir.

Errei em pensar que mando no coração, que posso controlar seu pulsar. E agora suas batidas recordam-me, que ele não está aqui, que não posso decidir nem fugir. Que o que tenho aqui comigo não é suficiente, que não pode ser diferente, que não mais…E a dor, em desespero me deixa, quando me lembra da queixa de que posso perder.

Minhas lágrimas acabaram, meus soluços se converteram em tentativas de me conter. Porque sou assim, tão entregue ao sentir? Porque essa essência de a tudo me dedicar tão profundamente é perene em mim? Porque mesmo com essa dor não consigo ignorar esse amor? Porque quero correr tantos riscos, e mesmo sabendo que meu desejo é ter, ver, sentir, tocar, prefiro me ferir a magoa-lo? Por que se quero esse amor tão livre, seu silêncio me dopa, me incomoda? Por que se sei dos motivos e circunstâncias, fico nessa ânsia de que o mundo pare e num estalo, tudo seja apenas esse amor?

Perguntas, infinitas são, preciso conversar com meu coração. Preciso me compreender além da compreensão.

Mesmo porque esse amor, esse sentir, essa paixão, tudo tão novo apresentado a mim, de forma tão intangível, até mesmo indecifrável, faz surgir em mim o pranto, mas a felicidade também. Nunca fui tão feliz, nem tive tanta esperança. Esse querer libertou-me de muitas formas, e meu profundo desejo é que o alvo de meu querer seja feliz e pleno. De que importam meus anseios, afinal?

Controverso, desejar a liberdade e sentir dor frente à possibilidade de não ter nunca mais. Loucura a agonia por algo tão belo. E o que de mais belo me foi legado, nesse sentimento de dor ecoado foi descobrir que apesar de tudo a vida só tem sentido se vivemos um intenso amor. Mesmo se difícil for. Mesmo que manifesto apenas por palavras e pensamentos. Mesmo que não haja encontro de corpos. É o sentimento de essência. Do que realmente importa, do real valor – Indelével.

Dane-se essa dor. Fico com o amor.

*

Enluarada

*

“Não posso acreditar que fui tocada por um anjo
Com amor
Deixe a chuva cair
E lavar minhas lágrimas
Deixe-a encher minha alma
E afogar meus medos”

Celine Dion – A New Day has Come

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