Rosa vermelha

Hoje me trouxeste uma rosa vermelha. Qualquer mulher que recebesse tal bela flor, lisonjeada ficaria. Ah, o quanto desejei tal prova de afeto, no passado. E porque as coisas têm de ser assim? Quando eu queria tanto sentir o êxtase de uma prova de amor, ignoravas. Era raridade, era forçado, pedido e implorado. Nunca, quase nunca lembrado. O quanto uma mulher tem que rejeitar um homem para que ele perceba seu valor? Porque agora? Porque agora que minha alma chora quando vislumbra a flor da cor do sangue de meu coração? Porque agora só sinto os espinhos? Isso é castigo?

Quando tinha meus sonhos de menina, me ferias com a indiferença. Agora me feres com espinhos de uma flor que meu coração insiste em rejeitar. Até quando precisarei chorar? Quantas lágrimas regarão flores que para mim estão sem vida? Sinto como se a vida estivesse debochando de mim. Alguém tão sonhadora e romântica, destinada a trilhar por muito tempo um caminho sem cores, os dons e trabalhos de minhas mãos voltados em prol de regar um amor que sofrido não resistiu. Como quis que outrora lembrasses de mim durante o dia, e me mostrasse isso com um gesto singelo quando chegasse junto de mim. E hoje que no solo de meu coração não resta nem as cinzas desse amor, você vem com flores. O que seria isso senão ironia? Será que sou indigna de provar a sensação de receber provas de amor? Quando as quero, não as tenho. E quando as tenho não as quero mais. Muito além de não querer, eu lamento.

Ao receber sua flor não são lágrimas de emoção, nem de amor que fluem de meus olhos. São de indignação. De resignação. Porque não posso impedir-te de me trazer flores. Mas não são elas que agora vão fazer ressurgir meus fortes e puros sentimentos frustrados, mortos e enterrados. Como as flores que não me destes, murcharam, despetalaram-se, secaram. E nesse coração que batia quase morto, e agora reclama ao ver que é tarde demais, existe uma semente recém plantada, germinada, por outro coração que me presenteia com flores virtuais. Tivera seu tempo, sua chance, tivera meu amor, meu romance. Fui fiel, esperei, pedi, avisei. Por muito tempo, longos anos. E meu coração que pensei estar fadado ao eterno desgosto agora sonha com novas possibilidades. Infelizmente hoje, suas flores cortadas simplesmente não podem mais alegrar esse lugar. Nem evitar o Adeus. Sinto muito.

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Enluarada

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